Alceu Valença | Amigo da Arte

03/11

Grande Teatro | Palácio das Artes | Av. Afonso Pena, 1537. Centro. Belo Horizonte

No dia 3 de novembro, domingo, às 19 horas, Alceu Valença apresenta seu novo show Amigo da Arte no Grande Teatro do Palácio das Artes. O show reúne canções que ressaltam o diálogo entre a obra do cantor e compositor pernambucano e suas referências na literatura, na poesia, na filosofia, nas artes em geral.

Em Agalopado (do álbum Espelho Cristalino, 1977), o artista reúne três referências literárias na mesma obra. Em sintonia com os mineiros Guimarães Rosa (“viro rosa, vereda de espinhos”) e Drummond (“viro pedra no meio do caminho”) e o espanhol Cervantes (“Dom Quixote liberto de Cervantes”), a arte é amiga da dor, do amor, do desengano. Que Grilo Dá (de Mágico, 1984) aproxima o nordeste do João Grilo de Ariano Suassuna ao Macunaíma, o herói sem caráter, do paulista Mario de Andrade, amigos do “riso e desastre do meu Brasil popular”.

A Bahia de Jorge Amado ganha contornos olindenses em Chuva de Cajus (Estação da Luz, 1985). Aos versos “pastores da noite / meu são Jorge Amado / livrai-me do ódio dos apaixonados”, o amigo das letras Jorge retribuiu: “Canto de pássaro, grito de guerra, a caatinga Arida e o verde canavial, o povo nos limites da vida, eis a música de Alceu Valença, terno e profundo menestrel do nordeste” – escreveu.

A canção e a prosa se encontram como conde e passarinho na crônica de Rubem Braga e na letra de Na Primeira Manhã (Coração Bobo, 1980). Lava Mágoas (Cavalo-de-Pau, 1982), parceria de Alceu com Dominguinhos, remete ao “Caso Pluvioso”, de Carlos Drummond de Andrade. Solidão (Mágico, 1984) aponta para a Macondo de Gabriel García Márquez. Como a poesia brasileira é amiga da lusofonia, Loa de Lisboa (Estação da Luz, 1985), exalta a verve de Fernando Pessoa, seguida da récita de “Tabacaria”, um dos maiores momentos do poeta português.

Belle de Jour (Sete Desejos, 1992) aproxima a musa existencialista do cineasta espanhol Luis Buñuel do céu azul e das temperaturas sensuais da praia de Boa Viagem. Do cinema para a pintura, Girassol (Sol e Chuva, 1997), inspirada em Van Gogh, reaproxima a Holanda de Olinda. Tropicana (Cavalo-de-Pau, 1982), deriva das mangas, cajus e outras frutas tropicais que brotam dos traços do artista plástico pernambucano Sérgio de Lemos.

Seixo Miúdo (Rubi, 1986) traz a citação “O homem é o lobo do homem” do filósofo renascentista inglês Thomas Hobbes em sua obra “Leviatã”. E como o tempo é amigo do pensamento, a Embolada do Tempo (Na Embolada do Tempo, 2005) foi concebida pelo compositor para ecoar a máxima do antropólogo pernambucano Gilberto Freyre que “o tempo é tríplice”, onde se vivencia passado, presente e futuro no mesmo tempo e espaço de uma canção. Música em movimento.

O espetáculo reúne ainda temas como Papagaio do Futuro, Anunciação, Coração Bobo, Cavalo de Pau, Táxi Lunar, Pelas Ruas Que Andei, Marim dos Caetés, Anjo de Fogo, além da canção-título, Amigo da Arte.

 

 

Informações

Local

Grande Teatro | Palácio das Artes | Av. Afonso Pena, 1537. Centro. Belo Horizonte

Horário

19h

Duração

1h30min

Classificação

LIVRE

Informações para o público

31 3236-7400