Exposição interativa - imersiva e eventos on-line celebram cinquentenário do Palácio das Artes

14/03

Palácio das Artes - 50 anos em 5 Atos

 

 

Tendo como inspiração o famoso slogan do ousado programa de governo de Juscelino Kubitschek para o Brasil em 1954, quando candidato à presidência da República, “50 anos em 5” (50 anos de progresso em 5 anos de realizações), os 50 anos do Palácio das Artes, inaugurado em 14 de março de 1971, serão comemorados com a realização de uma série de projetos e eventos inéditos intitulados 50 Anos em 5 Atos. Junto ao público, que anda de mãos dadas à instituição desde sua construção, passando pela consolidação do espaço como referência cultural mineira, até a reinvenção digital que compreende a realidade atual, o Palácio das Artes comemora sua chegada ao cinquentenário.

 

Ao completar 50 anos em 14 de março de 2021, será publicado nas redes sociais da FCS, a partir das 10h, um vídeo que registra a multiplicidade cultural e de pessoas, ações e emoções presentes nesse espaço tão representativo para a cultura e a vida dos mineiros.

 

De acordo com o secretário de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, o Palácio das Artes representa a síntese das artes mineiras. “Nesse palco passaram grandes artistas da nossa terra, de Belo Horizonte, do interior de Minas, do Brasil e do mundo. É com muito orgulho que nós, nesse momento, louvamos esse grande espaço da arte. Parabenizo todos os técnicos, diretores e gestores que construíram e seguem construindo essa história de 50 anos. Que esse momento seja um marco de reflexão sobre esse passado, sobre a importância do pertencimento com relação à arte de Minas Gerais e sobre a perspectiva de futuro centrada na cultura como caminho para a transcendência e elevação da alma. Que em breve, após esses dias que vivemos, esse lugar volte a ser o símbolo grande, máximo da arte mineira. Vida longa ao Palácio das Artes e meus mais profundos agradecimentos ao corpo técnico da instituição e todos os equipamentos que compõem o Palácio das Artes”.

 

Para Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado, é importante celebrar essa história e seu impacto na cultura mineira e brasileira, fazer reverência a todos que construíram essa trajetória, junto com o público fiel e afetivo, além de discutir os passos em direção ao futuro. “É um orgulho poder celebrar 50 anos ininterruptos de atividades de uma instituição cultural. Nascido da visão de JK quando prefeito de Belo Horizonte na década de 40, com encomenda a Niemeyer de um projeto de um centro cultural diverso, no coração da cidade de Belo Horizonte e junto ao Parque Municipal, o Palácio das Artes cresceu ao longo do tempo e criou vínculos profundos com artistas, produtores culturais e o público mineiro. É sempre momento de discutir e reafirmar o papel dos espaços culturais como ponto de encontro, de convivência da diversidade, da nossa identidade cultural, da humanização, para a formação, reflexão, pensamento crítico e autonomia intelectual”, enfatiza Eliane Parreiras.

 

Concerto Inaugural do Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em 1971. Foto: Acervo FCS.

A celebração contará com cinco eixos temáticos, em ações virtuais e presenciais até dezembro de 2021. A programação compreende a exibição de histórias marcantes vivenciadas pelo público no Palácio das Artes, lives e depoimentos de funcionários, ex-funcionários e grandes artistas que fazem parte da trajetória do complexo cultural, podcasts e mini-documentários que abrangem momentos marcantes da história do espaço, e a exposição imersiva e interativa 50 Anos em 5 Atos, que ocupará a Fachada, o Hall de entrada e a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, homenageando o cinquentenário da instituição.

 

Programas que integram a programação anual da FCS como Concertos no Parque, Sinfônica POP, espetáculos dos corpos artísticos, mostras de cinema e exposições também farão homenagem aos 50 anos do Palácio das Artes em sua temática. São ações que compõem o planejamento anual da instituição e que tem seu calendário definido a partir das definições sanitárias de enfrentamento à Covid a cada novo momento.

 

Os eventos da celebração “50 ANOS EM 5 ATOS” são realizados pelo GOVERNO DE MINAS GERAIS / SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA E TURISMO DE MINAS GERAIS e FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO e tem a APPA ARTE E CULTURA como correalizadora. Contam ainda com o patrocínio Master da CEMIG e INSTITUTO UNIMED-BH (viabilizado pelo incentivo de mais de 5,2 mil médicos cooperados e colaboradores), USIMINAS e INSTITUTO USIMINAS como patrocinadores.

 

Exposição 50 ANOS EM 5 ATOS – Marco na celebração do cinquentenário, a exposição imersiva e interativa homônima ao projeto de celebração anual consolida a relação do Palácio das Artes com a arte e o digital. Dividida em três espaços – Fachada, Hall e Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard – 50 Anos em 5 Atos trará ao público mineiro um panorama histórico da instituição, propondo formas inéditas de interação. Na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, cinco instalações sensoriais relacionadas a diversos aspectos da instituição poderão ser percorridas pelos visitantes, tendo como ápice a sala imersiva. Todas as ações presenciais serão realizadas de acordo com os devidos protocolos sanitários, garantindo a fruição do público de forma segura.

 

Show de Maria Bethânia, em 2019. Foto: Paulo Lacerda.

Palacianas – Histórias que inspiram – O público é integrante e parceiro permanente das mais variadas atividades palacianas: por esse motivo, não é possível comemorar os 50 anos do Palácio das Artes sem conhecer as histórias e emoções vividas no complexo cultural localizado bem no centro da capital mineira. Palacianas – Histórias que inspiram propõe ao público enviar à equipe do Palácio das Artes grandes histórias vividas no espaço: seja a primeira vez que assistiu a uma ópera, que visitou uma exposição, que assistiu a um empolgante filme, ou ainda que terminou o namoro no final de um show… engraçadas ou dramáticas, as histórias serão postadas das redes sociais da Fundação Clóvis Salgado e no site criado especialmente para celebrar o cinquentenário da instituição.

O público poderá enviar gravações curtas, em vídeo ou áudio, e/ou fotos nas dependências do Palácio das Artes. As histórias e imagens selecionadas serão publicadas nas redes sociais e no site todo dia 14 de cada mês de 2021 – dia do aniversário do Palácio das Artes. Aqui, a proposta é mostrar como o Palácio das Artes faz parte da vida da cidade e de seus moradores e também como o público tem retratado esse espaço.

 

Série de Lives Prata da Casa Vale Ouro – Homenageando funcionários, ex-funcionários e grandes artistas que contribuíram e contribuem com a trajetória do Palácio das Artes, as lives Prata da Casa Vale Ouro serão transmitidas ao vivo pelo canal da FCS no YouTube. A proposta une dois ou mais participantes de áreas distintas do Palácio das Artes em um bate-papo descontraído sobre os bastidores e histórias curiosas que envolvem o espaço cultural. Esses encontros também contarão com a participação de diversos convidados especiais: artistas visuais, diretores de óperas, produtores culturais, atores e diversos profissionais das artes que já fizeram história nos palcos e galerias da instituição. A programação de lives terá início em abril de 2021, e se estenderá de forma periódica até o final do ano.

 

Construção da fachada do Palácio das Artes. Foto: Acervo FCS.

Podcasts ECOS DO TEMPO – A partir de maio/junho de 2021, uma série periódica de podcasts sobre os 50 Anos do Palácio das Artes será lançada no canal da FCS no YouTube e demais plataformas existentes. Com abordagem ampla e temática diversa, os episódios trarão convidados especiais debatendo temas históricos: a idealização, construção e consolidação do Palácio das Artes, a arquitetura marcante do espaço e sua relação com a cidade de Belo Horizonte, os desafios enfrentados no momento de isolamento social, e renovação digital e as novas propostas para garantir a educação artística em tempos de pandemia, e demais debates que abrangem e discutem o passado, presente e futuro do Palácio das Artes como instituição pública que produz, difunde e reitera arte.

 

Minidocs ECOS DO TEMPO – Serão produzidos minidocs sobre o Palácio, com lançamento a partir de junho. Os vídeos serão veiculados no canal da FCS no YouTube e contarão breves histórias sobre 50 anos do Palácio das Artes: arquitetura e história da instituição, momentos marcantes, história dos espaços do complexo cultural, trajetória dos Corpos Artísticos da FCS, criação do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart, entre outros tópicos.

 

Palácio das Artes 50 anos: uma história de todos para todos

Vinculado à Fundação Clóvis Salgado, o Palácio das Artes é o maior centro de formação, produção e difusão cultural de Minas Gerais e um dos maiores da América Latina com esse perfil. O espaço ocupa uma área 18 mil m² vizinho ao Parque Municipal Américo Renné Giannetti, e é sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, do Coral Lírico de Minas Gerais e da Cia. de Dança Palácio das Artes, além de abrigar o Centro de Formação Artística e Tecnológica (Cefart), com cursos básicos e profissionalizantes de artes visuais, dança, música, teatro e tecnologias da cena.

 

O complexo cultural dispõe de recursos cênicos e acústicos de elevado padrão técnico para a montagem de óperas, peças teatrais, concertos, espetáculos de dança e shows de música popular, além de galerias de artes visuais, cinema, e salas adequadas para lançamento de livros, palestras, congressos e seminários.

 

A partir da idealização do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, para a construção de um novo espaço para as artes na capital mineira, o Teatro Municipal de Belo Horizonte, com projeto original de Oscar Niemeyer, as obras foram iniciadas em 1942. Niemeyer projetou o teatro de forma que a fachada ficasse voltada para o Parque Municipal, ligado à avenida Afonso Pena por uma passarela de concreto – no entanto, as obras foram paralisadas em 1945.

 

Corací Pinheiro e Israel Pinheiro inauguram a Sala de Exposições do Palácio das Artes. Foto: Acervo FCS.

Em 1955, o arquiteto Hélio Ferreira Pinto foi convidado para redimensionar o projeto original do Teatro Municipal, transformando-o no Palácio das Artes, com acesso pela avenida Afonso Pena. Em 1966, o governador Israel Pinheiro assumiu o compromisso de concluir a obra e o complexo cultural foi inaugurado oficialmente em 14 de março de 1971, com a abertura do Grande Teatro do Palácio das Artes em um concerto da peça Messias, de Händel, com regência de Isaac Karabtchevsky.

 

Outros espaços foram criados posteriormente, como o Cine Humberto Mauro (1978), Teatro João Ceschiatti e Galeria Arlinda Corrêa Lima (1984), Sala Juvenal Dias (1993), Galeria Genesco Murta (início da década de 1990) e Galeria Mari’Stella Tristão (2016). Alguns desses espaços foram requalificados ao longo de 2017 e 2018, e outros foram criados, como a PQNA Galeria Pedro Moraleida e a Galeria Aberta Amilcar de Castro.

 

Momento de tensão

Incêndio do Palácio das Artes, em 1997. Foto: Paulo Lacerda.

Em retrospectiva, retomamos importante acontecimento que marcou a trajetória do Palácio das Arte e da cultura mineira: no dia 7 de abril de 1997, um incêndio atingiu o Grande Teatro, tendo as cadeiras e o teto sido consumidos pelo fogo – não houve mortos nem feridos, pois o teatro estava vazio no momento do acidente. Na reconstrução, que durou um ano, foram incorporadas características que qualificam o teatro como um dos mais modernos e avançados do Brasil.

 

 

 

Grande nomes

Pelos palcos do Palácio das Artes, grandes nomes da arte mundial fizeram história, como o Ballet Bolshoi, Cia. Antônio Gades, Grupo Corpo, Cia de Dança Deborah Colker, Balé da Cidade de São Paulo, além de companhias da Inglaterra, Estados Unidos, Japão, Israel, entre outras.

 

Chico Buarque no palco do Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em 2011. Foto: Paulo Lacerda.

O Grande Teatro do Palácio das Artes recebeu artistas consagrados como Astor Piazzola, B.B. King, Charles Aznavour, Madredeus, Mercedes Sosa, Miles Davis, Stanley Jordan e Montserrat Caballé. A música brasileira se fez presente em momentos marcantes com Caetano Veloso, Cartola, Chico Buarque, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, João Gilberto, Maria Bethânia, Marisa Monte, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Nara Leão, Ney Matogrosso, Roberto Carlos, Tom Jobim, Zizi Possi, dentre outros.

 

Na cena teatral, Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro, Marieta Severo, Marília Pera, Paulo Autran, Raul Cortez, Tônia Carrero e Grupo Galpão atuaram em peças marcantes, assim como Antunes Filho, Marília Pera e Gabriel Vilela como diretores. Também passaram pelo palco grandes escritores, como Adélia Prado, José Saramago e Raduan Nassar, além do fotógrafo Sebastião Salgado.

O espaço já comportou a encenação de mais de 80 óperas, dentre grandes produções do gênero: Aída, Norma, Carmen, O Guarani, Romeu e Julieta, La Bohème, La Traviata e Lucia di Lammermoor são alguns exemplos.

 

Todas as artes

Outros espaços do Palácio das Artes também mantêm público fiel e constroem, desde a sua idealização, novas formas de fruição artística. O Cine Humberto Mauro tem reconhecimento garantido pela variedade e qualidade de suas mostras, contando com programas permanentes de formação de público e funcionando como reduto histórico de críticos, professores, estudantes, diretores e amantes da sétima arte. As galerias do complexo cultural são áreas expositivas privilegiadas para as artes visuais, e recebem uma gama de mostras locais, nacionais e internacionais.

 

Já o Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart, é responsável por promover a formação em diversas linguagens no campo da arte e em tecnologia do espetáculo. Um dos aspectos mais valiosos dessa formação é a possibilidade da vivência prática dos alunos nos espaços profissionais do Palácio das Artes, onde está sediada uma de suas unidades. Referência em formação artística, o Cefart possui amplo e inovador Programa Pedagógico para profissionalizar e inserir jovens no mercado de trabalho da cultura e das artes.

 

Nesses 50 anos, o caráter democrático do Palácio das Artes está representado pela diversidade das manifestações artísticas e pela singularidade de um complexo cultural que reúne importantes equipamentos culturais. Nesse ambiente múltiplo convivem diariamente maestros, diretores artísticos, cineastas, artistas de teatro, dança, música e artes visuais, curadores, produtores, gestores, pesquisadores e estudantes de arte, oferecendo acolhimento ímpar aos interessados em todos os passos do fazer artístico.

Informações

Local

Palácio das Artes - 50 anos em 5 Atos