Webinário debate história, arte e cultura negra na construção de Minas Gerais

20/11 - 22/11

Centro de Formação Artística e Tecnológica - Cefart

Como parte do Programa de Ações Afirmativas, o Webinário Ancestralidades: ressignificação da história, arte e cultura negra para a construção de 300 anos de Minas Gerais é uma iniciativa da Fundação Clóvis Salgado, por meio do Centro de Formação Artística e Tecnológica – CEFART. O evento é gratuito, possui curadoria de Rosália Diogo, Doutora em Antropologia Social, ocorre nos dias 20, 21 e 22 de novembro, e conta com cursos, oficinas, rodas de conversa e apresentações artísticas. Este evento possui correalização da Appa – Arte e Cultura.

O Webinário buscará tratar de temáticas que envolvem a cena diversa protagonizada por negras e negros, perpassando o universo da dança, da música, do cinema, da literatura, do congado, da reza, e de muitas outras manifestações culturais, reforçando a potência do legado da matriz africana. O evento configura mais uma ação do CEFART que proporciona espaços de visibilidade e respeito à diversidade. Fabrício Martins, Coordenador de Pesquisas Artísticas do CEFART, afirma que ao longo dos anos o Centro busca trazer temas com enfoque na negritude e na importância de debater a temática em Minas Gerais.

 

Território vivo – A história de uma cidade é a maneira como os habitantes ordenaram suas relações com a terra, o céu, a água e os outros homens – a história se dá num território, que é o espaço exclusivo e ordenado das trocas que a comunidade realiza na direção de uma identidade grupal. Essa reflexão crítica, cunhada pelo pesquisador Muniz Sodré, inspira o pensamento desenvolvido no Webinário. A ideia de território será discutida, colocando em foco a identidade, por referir-se à demarcação de um espaço na diferença com outros. Além do mais, “reforçar um momento histórico e torná-lo célebre para a Fundação Clovis Salgado são também os objetivos desse projeto”, declara Martins.

O evento contará com oficinas de dança afro-brasileira e capoeira ancestral, rodas de conversa sobre autores e obras de referência para a literatura afro-brasileira em Minas Gerais, um panorama sobre a agenda da arte e cultura negra em BH, e shows com diversos artistas mineiros. A programação segue na contramão de pensamentos e práticas que não reconhecem a riqueza e a importância da Cultura Negra no processo de consolidação de uma sociedade diversa e plural.

 

Luta e permanência – Na indústria perversa de produção desse ser era essencial que as culturas e identidades de nativos da terra, povos indígenas, negro-africanos e outros “bárbaros” fossem erradicados. Em relação à África, o poder colonial europeu deveria arrancar as pessoas de suas cidades, de suas florestas, de suas nações e aldeias e trazê-los a força, compulsoriamente, para o outro lado do Atlântico, e utilizá-los como peças de uma máquina de produzir riquezas. A violência mais profunda nessa metamorfose que quer o africano na condição de escravizado é a destruição da sua identidade.

Diante deste processo foi preciso resistir ou inventar a resistência. No caso do Estado de Minas Gerais, os africanos que foram trazidos do continente africano, contribuíram de maneira significativa, sobretudo para o garimpo. Cidades consideradas históricas, como Ouro Preto, Sabará e Diamantina, se mantêm erguidas de maneira estruturadas, em função da riqueza adquirida pelas pedras preciosas e outros recursos minerais. E, definitivamente, o negro escravizado proporcionou o acúmulo dessa riqueza. Mas, nas Minas Gerais de 300 anos, encontramos a presença, a herança cultural e o legado de negras e negros por todas as partes.

 

 

Programação completa

 

Sexta feira – 20 de novembro de 2020

14h-16h30 – Oficina de dança Afro-brasileira, com o professor Evandro Passos.

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17h – 18h30 – Palestra de abertura – “Artivismos” com Marcos Antonio Cardoso

Mediação: Rosália Diogo

Local: Canal da FCS no YouTube

 

Sábado – 21 de novembro de 2020

14h-16h – Oficina de Capoeira Ancestral, com Mestre Beto Onça, presidente da Associação Mineira de Estudos da Capoeira.

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17h – 18h30 – Roda de Conversa – Autores/as e obras de referência para a literatura afro-brasileira em Minas, com Maria de Mazzarelo, editora da Mazza Edições e a poeta Nivea Sabino.

Mediação: Rosália Diogo.

Local: Canal da FCS no YouTube

19h-20h30 – Roda de Conversa – Breve Panorama sobre a agenda da arte e cultura negra em BH, com os artistas Gil Amâncio, Mauricio Tobias e Rui Moreira.

Mediação: Ellisandra Flávia

Local: Canal da FCS no YouTube

 

Domingo – 22 de novembro de 2020

14h-16h – Oficina de danças africanas, com a dançarina Raquel Cabaneco.

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17h – 18h30 – Roda de Conversa – O Congado em Minas Gerais, com Maurício Tizumba, ator, cantor, compositor, organizador dos Festejos dos Tambores e a Rainha do Congo do Estado de Minas Gerais, Isabel Cassimira.

Mediadora: Elissandra Flávia.

Local: Canal da FCS no YouTube

19h-20h30 – Show de Encerramento com a sambista Adriana Araújo.

Local: Canal da FCS no YouTube

 

 

Sobre os convidados

 

Marcos Antônio Cardoso – Militante do Movimento Negro, filósofo e mestre em História a Social/UFMG. Professor de cursos livres de Introdução a História da África. Um dos idealizadores do Festival de Arte Negra (FAN).

 

Nívea Sabino – Poeta e curadora da última edição do Festival Literário Internacional de BH (FLIBH).

 

Maria de Mazarelo (Mazza) – Maria Mazarello Rodrigues, fundadora da Mazza Edições, tem seu percurso intelectual e humano marcado pelo envolvimento com as questões sociais, políticas e culturais do Brasil.

 

Rui Moreira – Bailarino, coreógrafo e investigador de culturas com quatro décadas de atuação no cenário cultural mundial. Curador e diretor do Festival Internacional de Arte Negra e da Rede Terreiro Contemporâneo de Danças.

 

Gil Amâncio – Performadô – um poli artista (musico de cena, compositor de trilhas sonoras, percussionista, diretor artístico e educador). Criador da Cia SeráQuê? Com Rui Moreira e Guda, da Sociedade Lira Eletrônica Black Maria com Ricardo Aleixo, do Coletivo Black Horizonte com Gabi, Mateus, Mascote, Guigui e do Coletivo de Cinema Coisa de Preto com Cida Reis, Morro em Cena, Thiago e Labibe.

 

Maurício Tobias – Bailarino, professor e coreógrafo, com mais de 50 anos na cena do Jazz no Brasil! Tem formação em Ballet Clássico pelo Palácio das Artes e especialização pela Universidade da Bahia. Formou diversos professores e dançarinos de destaque na cena.

 

Ellisandra Flávia – Mestra de Cerimônias, radialista, locutora e produtora cultural.

 

Maurício Tizumba – Ator, cantor, compositor, organizador dos Festejos dos Tambores e a Rainha do Congo do Estado de Minas Gerais.

 

Isabel Casimira – Rainha de congo da Guarda de Moçambique Treze de Maio e rainha da Federação dos Reinados do estado de Minas Gerais.

 

Adriana Araújo – Adriana Araújo se destaca como uma das grandes vozes do samba mineiro. Integrante do grupo Simplicidade Samba, a cantora mantém viva a tradição deste gênero musical que é símbolo da identidade brasileira e, principalmente, da relevante contribuição cultural da população negra.

 

Raquel Cabaneco – Dançarina e professora de breaking e ritmos africanos, como Kuduro, Afrohouse, Semba e Kizomba.

 

Evandro Passos – Bailarino, coreógrafo, professor e fundador da Companhia Bataka. É professor na Universidade Federal de São João Del Rei e membro do Conselho Internacional de Dança (CID), da Unesco.

 

Mestre Beto Onça – Mestre de capoeira, criador e coordenador da Associação Mineira de Estudos da Capoeira (AMEC).

 

 

Informações

Local

Centro de Formação Artística e Tecnológica - Cefart