Objetivos

Na semana da ocupação Rosa Encantado, em que se homenageiam os 50 anos de encantamento do autor mineiro Guimarães Rosa, a Galeria Mari’Stella Tristão recebe obras de Domingos Mazzilli e Letícia Panisset, que propõe um diálogo com o universo roseano.

Só me restaram os ossos

A exposição de Mazzilli, intitulada Nonada, reúne duas instalações, que permanecem na galeria no período de 27 de novembro a 3 de dezembro. Na instalação Ruminâncias, o artista visual faz referências ao texto de Rosa ao trazer um dos seus elementos mais recorrentes: o boi. A obra provoca estranhamento e leva a refletir sobre o que comemos ao colocar bovinas carcaças lendo sua própria sorte. Dentre várias possibilidades interpretativas, o trabalho nos remete à vida, à morte e à dor, através da apropriação e deglutição do livro de carne de Artur Barrio.

Mazzilli tem trabalhado com esse suporte há uma década e diz: "depois das carnes, só me restaram os ossos!". Assim, ele ironiza a produção em série dos alimentos, da aprendizagem, da leitura e educação que nos é ofertada, a nossa cotidiana vida de gado. Como bom antropófago homenageia Grande Sertão: Veredas e parece nos dizer: "a cada um segundo suas necessidades!".

Já em Pérolas aos Poucos, o artista materializa o conceito de José Miguel Wisnik ao nos brindar com um cocho escavado, esculpido num único tronco de madeira e repleto de pérolas. Como fruidores, somos colocados, pelo trocadilho, no lugar do porco. 

Medicina por arte

Domingos Mazzilli nasceu em Muzambinho, MG. Se formou em Medicina pela UFMG e fez pós-graduação em Psiquiatria e História da Arte, pela PUC. Cursou Artes Visuais na EBA – UFMG e Artes Plásticas na Escola Guignard, UEMG, sem, no entanto, concluir os cursos. Abandonou a medicina aos 43 anos, e desde então tem criado uma obra instigante como artista plástico. Artista multimídia, transita por vários suportes: faz objetos e assemblages, borda lingeries antigas, objetos de cozinha e carne além de criar vídeos, instalações e fotoperformances. Fez uma tetralogia da dor através dos bordados. Seus temas recorrentes são a memória, o feminino, o doméstico, a dor e o íntimo. Mazzilli já expôs no Palácio das Artes, em 2015 e 2017, e em museus de renome nacional como o Museu Inimá de Paula, o Casarão do Museu Abílio Barreto e o Sesc Pompéia.

Presença do objeto

Já o trabalho de Letícia Panisset fica na fronteira da arte e de uma arquitetura de pequeno porte - ou de um design livre voltado mais para o senso e presença do objeto do que para sua função. Para a exposição Nonada, Travessia, ela propõe três objetos: pau-a-pique, jirau e cajado encantado. A artista traz, uma vez mais, a presença dos materiais tradicionais como barro, varas e cerâmica — na criação de objetos expressivos e evocativos que nos remetem ao território imaginário que a artista chama também de Roseano. 

Da política para a cerâmica

A trajetória de Letícia Panisset é cheia de curvas: a mineira de Juiz de Fora, estudou arquitetura na UFMG de Belo Horizonte por quatro anos, quando se envolveu profundamente com a luta política. Após anos de trabalho no movimento sindical, na luta pelos direitos das mulheres e das crianças, Panisset partiu, em 1986, para os Estados Unidos, onde se dedicou ao estudo do desenvolvimento da criança, com pesquisa de doutorado em creches de Belo Horizonte.

Em 2004, na Suíça, se dedicou a arte e a cerâmica, e criou uma galeria de arte popular em Genebra. Esse ano a artista e designer se dedica, em parceria com Émilie Renault e o "collectif ethno-graphic" ao projeto fazer viver, pesquisa que aproxima a arte da etnografia para o estudo de modos de vida no município do Serro, MG. 

Rosa Encantado 

No período de 27 de novembro a 3 de dezembro, a Fundação Clóvis Salgado realiza a Ocupação Rosa Encantado, uma semana com atividades nas áreas de artes visuais, cênicas, literatura e música, para homenagear os 50 anos de falecimento de Guimarães Rosa.

O programa teve início em Cordisburgo-MG, terra natal de Guimarães Rosa, no dia 19 de novembro – data em que o escritor faleceu – com uma apresentação do show Cirandas de Sagarana, do cantor e compositor Celso Adolfo. Essa atividade está em sintonia com a política de interiorização das atividades da FCS.

Rosa Encantado dá sequência ao bem-sucedido evento realizado pela FCS em 2016, Rosa Expandido, em homenagem aos 50 anos de publicação de Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, de Guimarães Rosa, encerrado em grande estilo com a leitura feita por Maria Bethânia de trechos da obra de maior expressão do escritor. 

Data de início

28 de Novembro de 2017

Data de término

03 de Dezembro de 2017

Endereço

Galeria Mari’Stella Tristão | Palácio das Artes

Preço

Entrada gratuita

Mais informações

EVENTO
Rosa Encantado: Nonada, Travessia, de Domingos Mazzilli e Letícia Panisset

HORÁRIO
De terça a sábado, das 9h30 às 21h, e domingo, das 16h às 21h

INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO
(31) 3236-7400

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