Cena do curta

No período de 13 a 25 de outubro, o Cine Humberto Mauro exibe a mostra São Paulo - Cinema Anônimo, com curadoria dos convidados João Campos e Rodrigo Pinto. A mostra tem o intuito de exibir longas e curtas-metragens da cena independente do cinema contemporâneo de SP.

Acesse a PROGRAMAÇÃO completa da mostra.

Confira as sinopses SINOPSES dos filmes.

Existe um cinema paulista?

Ou melhor, é legítimo falar de um cinema paulista? O desejo profundo dessa mostra é instaurar uma dinâmica reflexiva entre filmes produzidos em São Paulo nos últimos anos, numa tentativa de traçar um gesto crítico e geracional – entre um olhar e um panorama – que ensaie relações entre obras distintas, mas que compartilham, dentre outras coisas, o desejo – por parte de cineastas e coletivos – de distinção estética e política em relação à “índole industriosa” do cinema produzido na capital, desde a época das Companhias Cinematográficas Maristela e Vera Cruz, nos anos 1950. Os filmes reunidos – por fricção – nessa mostra instalam uma dialética complexa em sua tessitura, tanto em termos de proposições formais quanto de produção. São obras capazes de ressoar, no presente precário e conflituoso da cidade e do país, a tradição do Cinema de Invenção, movimento que produziu aquilo que de mais pujante já foi feito em nosso cinema.

No entanto, alguém retrucaria: para que afirmar a existência de um “cinema paulista”? De que realmente vale esta pretensão de unidade? Ainda mais: para que sublinhar uma contemporaneidade quando o presente nos assombra perpetuamente? Para que falar em jovens se as manifestações reacionárias estão abarrotadas destes?

De maneira distinta aos novos polos do cinema independente no Brasil (Recife, Belo Horizonte e Fortaleza, por exemplo), responsáveis pelos filmes que integram o hoje chamado Novíssimo Cinema Brasileiro, a produção de São Paulo não aglutinou. A falta de capilaridade entre coletivos, cineastas e demais grupos constitui, ainda hoje, um obstáculo para a ação coletiva – ou conectiva. Chamamos a atenção, portanto, para o fato de ter surgido, em meados de 2000 e também em São Paulo, uma nova práxis cinematográfica, resposta insurgente, ainda que fragmentária, à degradação cultural causada pela mercantilização do cinema desde a Retomada.

Ao compor esta mostra, buscamos afirmar que pôr em marcha uma reflexão sobre o cinema paulista é também um caminho possível para destravar nossa imaginação política. Nos últimos anos, acompanhamos a aparição incendiária de vários coletivos e cineastas se manifestando através de filmes, fenômeno que originou um campo cinematográfico marcado por uma polifonia conflituosa, tanto na dimensão estética quanto no plano ideológico.

O que falta, portanto, é uma confabulação efetiva entre as obras, e é justamente esta articulação – tensa – que a mostra São Paulo – Cinema Anônimo propõe, reunindo importantes filmes da produção paulista recente para, assim, apresentar ao público belo-horizontino um cinema incisivo, simultaneamente dentro, fora e às margens da indústria cinematográfica – esta última configurando, no discurso de muitos, o paradigma definitivo do cinema de São Paulo. Esperamos que essa mostra demonstre a plasticidade imanente de uma cena artística cheia de facetas, possibilitando uma reflexão crítica sobre a experiência contemporânea.

EVENTO
Mostra São Paulo - Cinema Anônimo

LOCAL
Cine Humberto Mauro | Palácio das Artes

DATA
13 a 25 de outubro

ENTRADA GRATUITA

CLASSIFICAÇÃO
Verifique a classificação indicativa dos filmes na programação 

INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO
3236-7400

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