Edital de Ocupação de Fotografia da FCS é um evento de destaque no cenário artístico, tanto no estado quanto no país, e busca fomentar a produção artística contemporânea em todo o Brasil. Na edição de 2018, que tem período expositivo de 18 de abril a 7 de julho, os artistas Daniel Antônio e Letícia Lampert ocupam a CâmeraSete.

Daniel Antônio | Histórias para Fantasmas

Daniel Antônio parte de narrativas experimentais, sem palavras e sugeridas pelas imagens encontradas. O artista explora temas como a tradição, a herança, o moralismo, a sexualidade, o luto e a memória, misturando fotografias autorais com outras encontradas em feiras de antiguidade. 

A exposição História para fantasmas é a primeira individual do artista mineiro Daniel Antônio, que vive e trabalha em São Paulo. Com curadoria de Wagner Nardy, o projeto apresenta 16 trabalhos, entre vários polaroides, pôsteres, fotogramas e fotografias analógicas, que misturam imagens do próprio artista e outras encontradas ou compradas. 

Letícia Lampert | Práticas para destrinchar a cidade

O gesto lúdico de desmontar um mecanismo complexo para analisar suas partes, como quem quer entender como ele funciona, é a origem dos diferentes trabalhos reunidos na mostra Práticas para destrinchar a cidade –  primeira exposição individual da artista Letícia Lampert fora de sua cidade natal, Porto Alegre. 

Utilizando da ideia de uma cidade genérica, sem uma paisagem marcante, a fotógrafa explora a falta de perspectiva dos edifícios, a proximidade sufocante entre prédios e a impossibilidade de ver o horizonte ou resquícios naturais do ambiente – características comuns a muitos centros urbanos que passaram por períodos de crescimento acelerado e, geralmente, sem planejamento. 

Composta por quatro séries, a exposição busca apreender a paisagem urbana, cada vez mais natural para quem vive nas grandes cidades. Segundo Letícia, na série Topografia do Horizonte (políptico formado por cerca de 60 imagens), “o céu é reduzido a pequenas formas geométricas quando recortado de fotografias tiradas em áreas centrais, ganhando formato abstrato, como se tratasse de pequenos pedaços espalhados pela cidade”. Já em Topiaria Urbana, a artista explora o pouco de verde que ainda resta na paisagem urbana e que perde suas formas naturalmente orgânicas para ganhar limites retos e definidos através das construções a sua volta.