A Fundação Clóvis Salgado traz à Galeria Genesco Murta do Palácio das Artes, de 7 de novembro a 10 de fevereiro, a exposição da artista mineira Aretuza Moura, que apresenta trabalhos inéditos em diferentes suportes - pinturas, esculturas, gravuras e assemblages

Com curadoria é do crítico e professor de artes plásticas Marcos Hill, a mostra não configura uma retrospectiva, antes, reúne trabalhos marcantes da artista realizados durante as quatro últimas décadas, além de peças inéditas. Segundo ele, o objetivo principal da exposição é compartilhar e avisar à sociedade mineira que essa artista existe, que acabou de completar 90 anos, e sempre trabalhou independentemente de qualquer limitação. “Já passou da hora do trabalho dela ser divulgado, e não haveria melhor lugar que o Palácio das Artes para intermediar esse processo de compartilhamento”, destaca Hill.

Tencionando a realidade do país, Aretuza atua, nas palavras de Hill, como uma “garimpeira do abandono”. As obras que compõem a exposição são feitas a partir de amontoados de plásticos, papelões, panos velhos, sacolas, vergalhões, barris e caixotes – materiais que a artista coleta das ruas de Belo Horizonte. Aretuza realiza apropriações simples dessa matéria prima, e os dejetos que formam suas obras testemunham níveis variados da precariedade de uma cidade pós-capitalista. No entanto, assimilando esses materiais presentes no lixo ao campo da Arte, a artista os transforma em lições de solidariedade.

Criação urgente

Aretuza Moura é uma artista inquieta que nunca parou de se movimentar no mundo das artes. “Conviver com a necessidade de criar não é tarefa fácil e nem sempre muito cômoda. Toda motivação de Aretuza emana necessariamente de um constante aprendizado. Enquanto mulher, esposa e mãe, Aretuza sempre manteve o foco de seu fazer artístico, consolidando uma atitude experimental generosa que lhe garante um trânsito livre entre as mais diversas linguagens artísticas”, destaca Hill. 

A última exposição feita pela artista no Palácio das Artes aconteceu há 11 anos, na mostra Trans-tempo, em 2007. Ao dizer de um certo retorno ao espaço da Galeria, a artista destaca que sempre esteve presente, de alguma forma, observando as exposições de diversos colegas. “Estou no Palácio das Artes constantemente, mesmo como observadora. É um espaço central importantíssimo de divulgação da arte, e me sinto muito feliz por ocupá-lo novamente, trazendo produções inéditas”, conta Aretuza. 

Aretuza não se considera autodidata, e destaca a importância de várias influências em seu processo de criação. “O artista nunca para, e o gosto é o que o move. Desde criança eu desenhava, e fui desenvolvendo minha forma de observar e fazer arte ao longo dos anos. Fiz museologia, um pouco de filosofia, restauração, vários cursos em artes visuais, e me inspiro através de filmes e livros”, conta a artista.

Indo do desenho para a pintura, Aretuza procura, em seus trabalhos mais recentes, tridimencionalizar as obras. A artista busca em elementos simples, muitas vezes achados no lixo, a matéria-prima para suas criações assemblages. “Gosto de captar coisas da rua, reaproveitar o que muitos chamam de ‘lixo’. As ruas de Belo Horizonte, principalmente as da periferia, me fornecem muito material”, destaca Aretuza, que realiza obras com correntes de metal, tapumes de madeira, alumínio, dentre outros objetos descartados.  

As influências de Aretuza não param por aí. “Enquanto estava à procura de autonomia, vi uma exposição no Museu Mineiro chamada O Olho Pesca. Eram obras de pessoas que possuíam transtornos mentais, e me interessei muito. Apesar de nunca ter trabalhado com arte terapia, passei a dar aula no Centro de Convivência do Barreiro, utilizando da literatura, do teatro e das artes plásticas para interagir com os alunos. Foi uma experiência fascinante que teve uma influência enorme em meu trabalho”, destaca a artista, afirmando como o processo de criação é sempre um câmbio de ideias. 

Foi também em um processo de troca de experiências que Aretuza conheceu Marcos Hill, atual curador da exposição. “Nos conhecemos na Universidade. O espírito inquieto da Aretuza sempre a levou a seguir muitos professores, não só na Escola de Belas Artes, como em outras unidades. Ela é uma mulher impulsionada pela cultura, pelas artes, pelas letras, e isso é uma característica maravilhosa. É uma mulher incansável, que sempre está atrás de conhecimento”, conta Hill.

Aretuza Moura

Gravadora, pintora, artista plástica e professora. Nasceu na cidade mineira de Corinto, em 1928. Estou desenho, gravura e restauração, na Escola de Belas Artes da UFMG, realizou o Curso de extensão Barroco Mineiro (1978), formou-se em Artes Plásticas pela Fundação Escola Guignard (1978), cursou Especialização em Museologia no Museu Mineiro (1986), e realizou pesquisa para documentação da Pinacoteca do Museu Municipal D. Beja (Araxá).

VISITAS MEDIADAS

Com o propósito de difundir conceitos importantes sobre as artes visuais, cultura e contemporaneidade, a Fundação Clóvis Salgado realiza visitas mediadas às galerias de artes visuais e de fotografia do Palácio das Artes e da CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais. A mediação é realizada pelos professores da Escola de Artes Visuais do CEFART.

As Visitas Mediadas acontecem às terças, quartas e quintas-feiras, às 9h30, 14h, 15h30 19h e têm a duração máxima de 1 hora e 30 minutos.

Os agendamentos são realizados exclusivamente pelo e-mail agendamento.galerias@fcs.mg.gov.br

 

Este evento tem correalização da APPA - Arte e Cultura

ENTRADA GRATUITA

EVENTO

Exposição Aretuza Moura

ENDEREÇO

Galeria Genesco Murta | Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537)

HORÁRIO

Terça a sábado, 09h30 às 21h

Domingo, 16h às 21h

CLASSIFICAÇÃO LIVRE

INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO

 

(31) 3236-7400

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