O Adeus ao mestre das trilhas sonoras Ennio Morricone

publicado por Thamiris Oliveira Rezende em 6 de julho 2020

A Fundação Clóvis Salgado lamenta a morte do lendário compositor italiano Ennio Morricone, um dos maiores mestres na arte da trilha sonora. Conhecido por várias composições imortais, talvez seu trabalho mais conhecido tenha sido sua parceria com o diretor Sergio Leone, nos faroestes italianos – os spaghettis, especialmente na chamada trilogia dos dólares: Por um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966). Nesses trabalhos, Morricone criou uma fantástica personalização narrativa da trilha sonora, em que cada personagem tinha o seu tema marcante e característico, contribuindo diretamente para o impacto e iconografia de cada personagem. Os grandes destaques são as composições “”The Ecstasy of Gold” e “The Good, the Bad and the ugly – Main Theme”.

Cena do longa Cinema Paradiso (1988)

Em Era Uma Vez no Oeste (1968), um faroeste épico com tons de ópera barroca, a música de Morricone serve como resumo narrativo dos personagens. Em ”Man with a Harmonica”, suas gaitas e explosões instrumentais distorcidas constroem o mistério do personagem interpretado por Charles Bronson; em “Once Upon a Time in the West – Main Theme” temos um resumo do estado de espírito e dos acontecimentos da personagem interpretada por Claudia Cardinale: a composição começa misteriosa como a sua chegada na cidade, depois evolui com um canto trágico, que simboliza o massacre de sua família, para terminar com uma épica e dolorosa superação.

O público do Cine Humberto Mauro está acostumado a acompanhar o trabalho de Morricone em diversas de suas mostras recorrentes, especialmente em “Western Parte 1”, “Western Parte 2” e “Sergio Leone: Era uma vez no cinema”; outras obras exibidas que levam a assinatura de Morricone incluem: “Os Oito Odiados” (2015) (seu último oscar, em 2016); Os Intocáveis (1987); “O Enigma de Outro Mundo” (1982); “Ata-me” (1990), “Cinzas no Paraíso” (1978), “Cinema Paradiso” (1988), “Cão Branco” (1982).