Semana Lixo Zero | Balanço final

publicado por Pedro Abrahão em 31 de outubro 2019

Sensibilizar funcionários e o público frequentador do Palácio das Artes sobre a produção de resíduos e lixo em geral, ensinando práticas sobre a preservação do meio ambiente por meio de oficinas, palestras, exibições de filmes, aulas de meditação e caminhada ecológica. Assim foi a primeira participação, entre os dias 21 e 25 de outubro, da Fundação Clóvis Salgado na Semana Lixo Zero, promovida anualmente pelo Instituto Lixo Zero Brasil.

Com adesão de mais de 100 cidades brasileiras, a Semana Lixo Zero é uma mobilização nacional que envolve grupos da sociedade civil e que tem como objetivo colocar em prática ações simples propostas pelas comunidades locais, como a limpeza de uma área verde, de um córrego, ou o plantio de uma horta. Medidas que ajudam a diminuir o impacto da ação do homem no meio ambiente e que o faça viver de forma mais harmônica e equilibrada com a natureza.

Foto: Daniel Helvecio

De acordo com Elena Ciciliotti, correalizadora da Semana Lixo Zero, a participação da Fundação Clóvis Salgado foi um grande presente. “Quando a gente usa a palavra cultura normalmente nos referimos aos movimentos artísticos. Mas, se pensarmos a cultura como expressão de um povo, é muito importante que se debata a nossa expressão cultural também na forma de gerir os nossos resíduos. Se uma cidade tem coleta ou não, se a gente faz separação ou não dos resíduos, faz parte da cultura dessa cidade. E quando essa discussão entra em um importante espaço cultural o tema ganha mais visibilidade e a ação ajuda a endossar a importância desse debate”, explica Elena.

Foto: Daniel Helvecio

Já Cristina Schirmer, diretora de Relações Institucionais da Fundação Clóvis Salgado, avalia como positiva a participação da instituição na Semana Lixo Zero: “Foi um período intenso de reflexões e ações que ratificam o pensamento da Fundação na importância de preservar o meio ambiente e contribuir para um mundo mais sustentável. Não por acaso, já colocamos em prática medidas que harmonizam e fazem a diferença no nosso ambiente de trabalho”.

Redução do uso do papel para impressão através da informatização de todos os processos administrativos; redução do uso de descartáveis, incentivando os funcionários a utilizarem com mais frequência garrafinhas e copos; promoção de campanha entre os funcionários para conscientização do uso correto dos recursos hídricos e de energia (apagar a luz ao sair de um espaço e desligar o ar condicionado); reciclagem de lâmpadas; redução do material publicitário impresso; e reciclagem dos nossos materiais publicitários; esses são alguns dos exemplos das ações já adotadas pela Fundação Clóvis Salgado.

Ápice da semana

Foto: Daniel Helvecio

Quarta-feira, 23/10, foi o dia mais movimentado da Semana Lixo Zero. Cine Humberto Mauro, Jardim Interno e o Café do Palácio foram os espaços ocupados pelo público que participou de oficinas, jogos, palestra e meditação guiada.

Entre várias atrações, no horário do almoço, servidores e público apreenderam dicas sobre como mudar simples hábitos domésticos que contribuem para se ter uma vida mais sustentável. Letícia Pires, pesquisadora de produtos naturais e especialista em economia doméstica, ensinou o público a produzir um sabão natural e não poluente feito com sabão de coco, água, álcool, bicarbonato de sódio e óleo essencial (no final da matéria está publicada a receita do sabão).

Foto: Daniel Helvecio

“Na minha oficina, em 10 minutos expliquei a receita. É um sabão simples, prático, sustentável, econômico e que proporciona autonomia para a pessoa, além de ser lixo zero. Então, não falo só do fazer sabão. Eu falo sobre uma mudança de hábitos e de mudança de consciência. A gente não precisa dos produtos coloridos e com cheiro que a indústria química nos oferece. Portanto, a ideia é passar uma mudança de olhar, mostrando outras possibilidades. Também falo sobre o uso do canudo de metal, já que o canudo de plástico descartável é poluente”, ratifica Letícia.

Servidores aderindo à campanha
Com dicas simples, mas valiosas, servidores da FCS já colocam em prática os ensinamentos da especialista em economia doméstica. Dona Eva e Pelé, funcionários antigos do Palácio das Artes, já começaram a utilizar o sabão natural. “É mais barato fazer em casa e a nossa mão não fica seca como acontece quando usamos detergentes tradicionais”, comentou Dona Eva. Pelé foi além: “Lá em casa as mudanças estão ocorrendo. Está proibido usar canudo e sacolinha de plástico. E vamos fazer a compostagem do lixo”.

Dicas práticas para mudanças de hábito

– Não precisa mais separar os materiais recicláveis pela cor.

– Descartar o lixo de maneira limpa, seca e, se possível, compactada para não atrair doença e bicho. Uma boa dica é o lixo ser empilhado em caixa de papelão. Desta forma, fica mais fácil para o catador manuseá-lo.

– Utilize o aplicativo Cataki (disponível para Android e iOS) para organizar o descartar de resíduos. A ferramenta é gratuita e indica os locais de coleta na sua região. Além disso, o aplicativo disponibiliza contatos de catadores que fazem a coleta no local solicitado pelo usuário.

– Para produzir menos lixo e causar menos impacto ambiental, comprar produtos mais próximos da realidade do consumidor. O ideal é que a compra seja feita em pequenos estabelecimentos – sacolões e mercearias – e que os alimentos sejam adquiridos a granel, levando somente a quantidade que será consumida. Assim, evita-se desperdício, o estrago de alimentos e a formação de mais lixo.

– Consumir produtos mais naturais de pequenos produtores que comercializam alimentos oriundos de processos menos agressivos. Geralmente, esses comerciantes são incentivadores de agroecologia, que unem preservação e conservação à sustentabilidade social e econômica. Assim, o meio ambiente é menos impactado.

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