FORUMDOC.BH.2019 | 23º Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte

22/11/19 - 01/12/19

Cine Humberto Mauro | Palácio das Artes | Av. Afonso Pena, 1537. Centro. Belo Horizonte

O Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte, que acontecerá de 22 de novembro a 01 de dezembro, no Cine Humberto Mauro, trará produções e temáticas diversificadas para debater questões em torno da diversidade cultural na mostra Mortos e a Câmera, bem como exibir a produção nacional recente na mostra Contemporânea Brasileira. Destaque para as sessões especiais que contarão com estreias importantes de filmes premiados nacional e internacionalmente.

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Dando continuidade ao seu tradicional escopo (exibir, debater e colocar em evidência produções que abordam diversas perspectivas autorais e culturais), o forumdoc.bh volta a apresentar uma programação intensa comemorando 23 edições consecutivas. Realizado pelo coletivo Filmes de Quintal, com participação dos programas de pós graduação em Antropologia e Comunicação da UFMG, o festival será realizado entre os dias 22 de novembro e 01 de dezembro no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes com sessões de cinema gratuitas, além do tradicional fórum de debates que compreende sessões comentadas e um seminário associado à mostra temática principal. Esta edição proporcionará ao público a exibição gratuita de 58 filmes documentais e obras que com este gênero dialogam. A programação se organiza em três mostras: Mostra Mortos e a Câmera, com 23 filmes; Mostra Contemporânea Brasileira, com 21 filmes, Sessões Especiais, com 13 produções, além de um Seminário composto por 3 encontros e demais sessões comentadas.

A sessão de Abertura, dia 22 de novembro, sexta-feira, às 19h30, contará com a estreia mundial do longa Yãmĩyhex, as mulheres-espírito, com direção de Suely Maxakali e Isael Maxakali. Realizadores indígenas já com obras conhecidas em diversos festivais e anteriormente exibidas no forumdoc.bh, o cinema maxakali tem gerado intenso interesse por sua singularidade formal e pelos conteúdos relativos à intensa vida ritual desse povo indígena, conhecido como povo do canto, que resiste milenarmente e habita o norte de Minas Gerais, guardando um modo específico de existência e sua língua viva. A exibição será seguida de debate com os realizadores e a equipe do filme, e confraternização nos Jardins Internos do Palácio das Artes.

A mostra temática Mortos e a Câmera, com curadoria do antropólogo e professor da FAE/UFMG Paulo Maia, apresenta um conjunto de 22 títulos de diferentes formatos e durações, que vão de filmes focados em relatos e testemunhos a filmes de linhagens mais experimentais, passando por títulos que se baseiam em ficções especulativas ou que utilizam técnicas de stop motion, animação, imagem de arquivos, reconstituição, recriação, entre outros, sem falar nos diferentes aspectos constitutivos dos universos sonoros filmográficos. Essa heterogeneidade das formas em parte advém das diferentes assinaturas dos trabalhos: realizadores homens, mulheres e travestis; negros, indígenas, brancos, asiáticos, separados (autores individuais) ou associados (coletivos), de diferentes regiões e continentes do mundo. Outro aspecto importante dessa filmografia é que ela lida diretamente com performances e/ou rituais de morte que exploram o que poderíamos chamar de uma “cosmojustiça cinematográfica”, inspirada em algumas variantes já mencionadas que podem ser descritas sob a alcunha de “cinemas piaculares” e/ou “cinema na vigília”. São filmes que tratam do respeito, do cuidado, da saudade, da memória de pessoas, lugares, seres e entidades importantes, espíritos e almas de defuntos inquietos ou sob controle, de vidas interrompidas e silenciadas pelo racismo e por regimes autoritários, em suma, dos complexos processos políticos e sociais marcados por sentimentos ambivalentes entre vivos e entre vivos e mortos, mesclados de respeito e revolta, silenciamentos, apagamentos e sepultamentos não realizados e por realizar.

Da mostra, destacamos as estreias em Belo Horizonte de filmes de importantes cineastas mundiais como: o cambojano Rithy Panh com Túmulos sem nome (2018), seu filme mais recente; o documentarista chinês Wang Bing e seu épico Almas Mortas (Dead Souls, 2018); e uma rica produção contemporânea de cineastas negras dos Estados Unidos ainda inédita no Brasil com curtas-metragens dirigidos por Leila Weefur, A. Sayedra Moreno e Nuotama Frances Bodomo. Ressaltamos ainda as seguintes sessões comentadas: debate com o renomado artista Arthur Omar após a exibição de seus filmes Ressurreição (1987) e Sonhos e Histórias de Fantasmas (1996); exibição de Jakaira (dir. Coletivo ASCURI, 2019’) e Chico Mendes: Eu Quero Viver (dir. Adrian Cowell, 1989) com comentários das lideranças e cineastas Gilmar Kiripuku Galache (Terena), Ademilson Concianza (Kiki Kaiowa) e o professor Ruben Caixeta de Queiroz.

Já a Mostra Contemporânea Brasileira conta com 21 filmes entre médias, longas e curtas metragens brasileiros finalizados entre 2018 e 2019, em onze sessões. Diante das urgências e das formas afirmativas de resistir e existir, a comissão de curadoria reuniu filmes que apresentaram estratégias de reflexão sobre a própria imagem que criam e provocam o espectador a deslocar o olhar, procurando um reposicionamento e uma atitude interrogativa diante do que é revelado. A mostra oferece ao espectador um conjunto de filmes inquietos e ensaísticos que representam, se não a integralidade das lutas, a forma como estas agitam o debate no fazer cinematográfico. São documentários que reiteram o direito dos povos à existência, dentro das suas próprias maneiras de contar, com destaque para filmes de realizadoras e realizadores negros que têm ganhado cada vez mais destaque no circuito dos festivais. Contamos ainda com um conjunto de textos inéditos escritos especialmente para o catálogo do forumdoc.bh.2019 a ser disponibilizado na versão impressa e on-line.

Da mostra, dez das onze sessões contam com estreias em Belo Horizonte de filmes premiados em festivais nacionais e internacionais, dentre eles: Chão (dir. Camila Freitas), exibido no festival de Berlim em 2019 e premiado no 8o Olhar de Cinema Curitiba, que acompanha um acampamento do MST em Goiás; o longa Bixa Travesty (dir. Claudia Priscilla e Kiko Goifman), roteirizado e protagonizado pela cantora trans Linn da Quebrada e vencedor do prêmio Teddy Awards na Berlinale 2018; curtas de jovens realizadoras negras nos filmes Bup (Dandara de Morais) e Motriz (Taís Amordivino); e uma série de produções de autoria indígena, entre elas: Virou Brasil, realização coletiva resultante de processo de oficinas coordenadas pelo projeto Vídeo nas Aldeias junto ao povo Awá-Guaja; processo semelhante ocorre em Guardiões Da Floresta, com direção de Jocy e Milson Guajajara junto ao povo Guajajara; e O Último Sonho, com direção do cineasta Guarani Alberto Álvares. Essas sessões destacadas serão seguidas de debate com os realizadores/as e equipe. Contamos ainda com o lançamento de filmes de diretores/as de Belo Horizonte, entre eles o longa Enquanto Estamos Aqui, de Clarissa Campolina e Luiz Pretti, que foi exibido no festival Internacional de Rotterdam 2019.

As Sessões Especiais do festival trazem importantes lançamentos na cidade: Antônio e Piti (do renomado realizador Vincent Carelli – também diretor dos premiados Martírio (2016)  e Corumbiara (2009) – e co-dirigido por Wewito Piãko, da etnia  Ashaninka, filme que narra a história dos pais de Wewito e da conquista de seu território. Lançaremos ainda o último filme de Júlio Bressane, Sedução da Carne e também Fakir, documentário de Helena Ignez, sua companheira de uma geração do cinema marginal que segue fazendo filmes formalmente inovadores. Um dos filmes mais aguardados da mostra é A Febre, de Maya Da-Rin, que acumula premiações internacionais como os três prêmios no Festival de Locarno (Pardo de Melhor Ator, para Regis Myrupu, prêmio da crítica internacional FIPRESCI e o prêmio “Environment is Quality of Life”), além  melhor filme no Festival de Biarritz, França, entre outros e que  terá sua estreia na cidade no forumdoc.bh. A sessão será comentada pela diretora e pela atriz indígena Rosa Peixoto. De filmes belorizontinos nessa mostra especial teremos o lançamento de Rua Guaicurus, do diretor João Borges, com a presença da equipe e atrizes do filme, as trabalhadoras do sexo daquela região historicamente tão relevante para a cidade e pouco retratada.

Teremos ainda a presença de Jean Claude Bernardet, um dos mais importantes pensadores e críticos de cinema, comentando filmes recentes (Ruim é Ter que Trabalhar (2015), 9’; Aluguel: o Filme (2016), 16’ ; Filme dos Outros (2018) de Lincoln Péricles, jovem diretor e montador do Capão Redondo, periferia de São Paulo, sessão que pretende discutir a representação contemporânea do trabalhador brasileiro pelo cinema.

Acompanha a mostra temática deste ano, o Seminário Mortos e a Câmera que reunirá artistas, realizadores/as, pesquisadores/as e lideranças indígenas nacionais. Os encontros do seminário acontecem entre os dias 25 e 27 de novembro, com início entre 14h e 17h, no Cine Humberto Mauro/Palácio das Artes. A programação é composta por: na segunda-feira 25/11, às 17h, abertura com uma conferência da convidada especial Leda Maria Martins, poeta e professora da Faculdade de Letras da UFMG, e  apresentação do curador Paulo Maia que irão estabelecer aproximações e afastamentos a respeito do tema proposto. Na terça 26/11, às 15h, a primeira mesa-redonda foca nos agenciamentos artísticos e políticos que podem ser entendidos na clave dos “trabalhos de vigília”, com a participação dos/as artistas e lideranças Denilson Baniwa, Castiel Vitorino Brasileiro, Davi de Jesus do Nascimento e Célia Xakriabá e mediação de Roberto Romero. Já a última mesa, na terça 27/11, às 15h, contará com os/as professores/as e cineastas André Brasil, Tatiana Carvalho Costa, Fabio Rodrigues, Ademilson Concianza (Kiki Kaiowa) e mediação de Carla Italiano explorando o cinema na vigília em suas experimentações formais e capacidade crítica.

Serão Abertas Inscrições para o seminário no site do festival entre 13 e 20/11, o que garantirá a emissão de certificado. O número de vagas estará sujeito à lotação do espaço.

O forumdoc.bh é realizado pelo coletivo Filmes de Quintal e conta com o patrocínio do BDMG Cultural por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, do grupo Sada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e do Itaú pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta ainda com o apoio da Fundação Clóvis Salgado e a correalização da Universidade Federal de Minas Gerais.

Informações

Local

Cine Humberto Mauro | Palácio das Artes | Av. Afonso Pena, 1537. Centro. Belo Horizonte

Informações para o público

31 3236-7400