Mostra Cinema e Patrimônio: Cozinha Mineira

22/08/21

Cine Humberto Mauro e plataforma CinehumbertomauroMais

Mais que Doce, de Arthur Medrado

 

A Fundação Clóvis Salgado, através do Cine Humberto Mauro e em parceria com Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, a Empresa Mineira de Comunicação / Rede Minas, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA) e o Circuito Liberdade, apresenta a mostra Cinema e Patrimônio: Cozinha Mineira. O evento reúne obras audiovisuais que celebram a diversidade e a importância da gastronomia mineira para nossa identidade cultural. Os filmes estarão disponíveis de forma gratuita e contínua de 13 de agosto (sexta-feira) até 22 de agosto (domingo) de 2021 na plataforma CineHumbertoMauroMAIS.

Parte da mostra será também exibida no Cine Humberto Mauro em sessões presenciais, sempre às 14h. No dia 17 de agosto será exibido o longa Estrada Real da Cachaça (2011), de Pedro Urano. No dia 18 de agosto o CHM exibe dois filmes do diretor Helvécio Ratton: Pão de Queijo da Romilda (2011) e O Mineiro e o Queijo (2012), e no dia 19 de agosto, a sequência O Quê do Queijo: Um Segredo do Serro (2018), de Paulo Henrique Rocha, e Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte (2013), de Jason Barroso Santa Rosa. Para encerrar a programação presencial, no dia 21 de agosto, os curtas A Dona do Tacho (2021), de Marcelo Wanderley, Mais que Doce (2018), de Arthur Medrado, e Angu Recheado de Senzala (2020), de Stanley Albano.

 

Pão de Queijo da Romilda, de Helvécio Ratton

Afeto, cozinha e mineiridade – A cozinha mineira vem, cada vez mais, assumindo espaço de destaque, tanto por sua história e características quanto por abranger um setor gerador de oportunidades e de desenvolvimento econômico para Minas Gerais. As tradições em torno do alimento, a diversidade e qualidade de produtos, o alto número de produtores e profissionais de destaque são aspectos que reforçam a relevância dessa culinária no Brasil e no mundo.

A mostra Cinema e Patrimônio: Cozinha Mineira integra o conjunto de ações culturais realizadas pela SECULT em comemoração à semana do patrimônio, que tem como marco o dia 17 de agosto, data do nascimento do mineiro Rodrigo Melo Franco (1898-1969), pioneiro na formulação e implementação da política pública de reconhecimento da diversidade da cultura nacional, e fundador do Dia do Pão de Queijo (17 de agosto), um dos alimentos mais importantes para a identidade cultural mineira.

A curadoria da mostra ressalta as diversas abordagens sobre a gastronomia mineira e sua relação com o cinema e o patrimônio. Integram a programação dois documentários produzidos pelo IEPHA que tem como objetivo principal pensar o audiovisual enquanto uma importante ferramenta de registro e preservação das manifestações culturais em nosso Estado.

Já o longa-metragem O Mineiro e o Queijo, dirigido por Helvécio Ratton, apresenta uma narrativa documental política e poética ao contar a origem da técnica de produção artesanal em Minas no século XVIII e denunciar as dificuldades e os desafios na produção e exportação de queijos em Minas Gerais, enfatizando o quanto este patrimônio encontra-se ameaçado. A repercussão do filme foi muito além das telas do cinema, pois sua divulgação ajudou a difundir a causa do Queijo Minas Artesanal e a expor a situação dos pequenos produtores para todo o Brasil, fazendo com que o Ministério da Agricultura flexibilizasse a comercialização do queijo.

Em Estrada Real da Cachaça, longa-metragem de Pedro Urano, o público embarca em uma viagem à Estrada Real, mapeando a presença e importância da cachaça para a cultura brasileira. A cachaça é produzida em todo o território brasileiro, mas Minas Gerais é o estado mais conhecido por sua qualidade.

Entre os curtas-metragens, destacam-se A Dona do Tacho, de Marcelo Wanderley, que narra a história de dona Nelsa Trombino, um ícone da gastronomia mineira, conhecida por seu trabalho à frente do premiado restaurante Xapuri. Mais que Doce, de Arthur Medrado, foi produzido pela TV UFOP, e narra a tradicional cultura dos doces artesanais de São Bartolomeu, que completam 10 anos como primeiro bem do patrimônio imaterial registrado no distrito. Já Angu Recheado de Senzala, de Stanley Albano, faz uma releitura da história do pastel de angu, patrimônio da cultura mineira, e segue o artista através da história da comida mineira que tem na sua origem o período da escravização dos negros no Brasil.

Angu Recheado de Senzala, de Stanley Albano

Narrativas televisivas ganham espaço com a exibição de duas séries jornalísticas: Raízes da Gastronomia – Da Tradição à Reinvenção e Minas Imaterial – Saberes da Mesa, produzidas pela Empresa Mineira de Comunicação/Rede Minas. Raízes da Gastronomia – Da Tradição à Reinvenção conta um pouco da história da culinária mineira, suas origens e produtos típicos, além de instigar, resgatar e reinventar essa tradição e sabor em tempos de pandemia e isolamento social. Minas Imaterial – Saberes da Mesa desvenda riquezas do patrimônio imaterial de Minas Gerais com episódios especiais sobre Sabará (Ora-pro-nobis), Mariana (Panelas de pedra), Itabirito (Pastel de Angu) e Igarapé (Mestras da culinária). Além do contexto histórico, a série aborda também os caminhos atuais e o encontro entre passado e futuro na culinária de Minas Gerais.

Governo de Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e a Fundação Clóvis Salgado apresentam a Mostra Cinema e Patrimônio: Cozinha Mineira. A mostra tem a correalização da APPA – Arte e Cultura, da Empresa Mineira de Comunicação/Rede Minas, e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG). Conta com o patrocínio master da CemigAngloGold Ashanti e Unimed-BH / Instituto Unimed-BH¹, por meio das Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura, e patrocínio ouro da Codemge – Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais.

¹ O patrocínio da Unimed-BH / Instituto Unimed-BH é viabilizado pelo incentivo de mais de cinco mil médicos cooperados e colaboradores.

 

SINOPSES DOS FILMES

 

Documentários IEPHA:

 

O Quê do Queijo: Um Segredo do Serro, de Paulo Henrique Rocha (BRA/MG, 2018) | 57’ | Livre
O filme aborda as técnicas artesanais, entre outros conhecimentos e tradições deste laticínio, que é produzido em onze municípios da microrregião do Serro. Desde 2008, a produção artesanal do queijo do Serro é considerada patrimônio imaterial de Minas Gerais.

 

Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte, de Jason Barroso Santa Rosa (BRA/MG, 2013) | 37’ | Livre

A devoção à Nossa Senhora do Rosário é uma expressão religiosa tipicamente afro-brasileira. No município de Chapada do Norte, a festa da santa desvela e descreve – por meio de novenas, lavações, leilões, corridas de cavalo e paneladas de angu – histórias, credos e culturas ligados a um passado colonial onde se entrelaçam portugueses, negros escravizados e negros libertos. Essa produção audiovisual documenta a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte, registrada como patrimônio cultural imaterial do estado pelo IEPHA-MG em 2012.

 

Obras cinematográficas: 

 

O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton (BRA/MG, 2012) | 72’ | Livre

Este documentário político e poético conta como a técnica de produção artesanal de queijo chegou a Minas no século XVIII, trazida por aventureiros portugueses em busca de ouro. Quase 30 mil famílias hoje vivem da produção do queijo artesanal em todo o estado, porém uma lei proíbe que eles exportem qualquer quantia do que produzem para o restante do Brasil.

 

Pão de Queijo da Romilda, de Helvécio Ratton (BRA/MG, 2011) | 15’ | Livre
A produtora de queijo Canastra e personagem do filme O Mineiro e o Queijo, D. Romilda, dá a receita do melhor pão de queijo do mundo!

 

Estrada Real da Cachaça, de Pedro Urano (BRA/MG, 2011) |  97’  | 12 anos

Estrada Real da Cachaça é um caminho, uma viagem. Espécie de roadmovie espaço-temporal, o filme busca um reencontro com a realidade nacional através da mais brasileira das bebidas, a cachaça. Trata-se de uma investigação histórica, antropológica, sócio-econômica e poética que procura, ao longo da chamada Estrada Real, articular fragmentos significativos da trajetória da nação. Estrada Real da Cachaça propõe a reatualização de um percurso ancestral com o objetivo de mapear a presença da cachaça na cultura brasileira. A cachaça é produzida em todo o território brasileiro, mas Minas Gerais é o estado mais conhecido por sua qualidade. O motivo está relacionado à corrida pelo ouro, no século XVIII, que fez com que colonizadores portugueses e brasileiros fossem para o interior do país acompanhados da bebida.

 

Mais que Doce, de Arthur Medrado (BRA/MG, 2018) | 10’ | Livre

O documentário apresenta as relações afetivas por trás da produção dessas delícias ouropretanas: sustento, trabalho, negócio, tradição, desafios e laço social. Esses são os componentes fundamentais para o processo de revalidação do registro da produção de Doces Artesanais de São Bartolomeu/MG (2008-2018) que completa 10 anos como primeiro bem do patrimônio imaterial registrado no distrito.

 

A Dona do Tacho, de Marcelo Wanderley (BRA/MG, 2021) | 23’ | Livre

Dona Nelsa Trombino é um ícone da gastronomia mineira. Filha de imigrantes italianos, a cozinheira dedicou a vida a divulgar a comida típica de Minas Gerais. A saborosa missão a levou a conhecer vários países pelo mundo. Fundadora do restaurante Xapuri, ela é incansável na defesa das tradições gastronômicas, como o uso do tacho de cobre. Um relato emotivo sobre a trajetória dessa personalidade da cultura alimentar brasileira.

 

Angu Recheado de Senzala, de Stanley Albano (BRA/MG, 2020) | 22’ | Livre
O filme reconta a história do famoso pastel de angu, patrimônio da cultura mineira, a partir do racismo e vivência de negros e negras escravizados em Minas Gerais. Como boa parte da comida mineira, o pastel de angu tem sua origem no período da escravidão, no final do século 19, nas fazendas onde negros escondiam os restos de carne dos senhores em bolinhos de fubá, para consumi-los posteriormente nas senzalas.

 

Raízes da Gastronomia – Da Tradição à Reinvenção

 

Episódio 1: Raízes da Gastronomia

Episódio 2: Produtos Tradicionais

Episódio 3: Tempos de Pandemia e Redescoberta da Cozinha Mineira

Episódio 4: Reinvenção da tradição

 

Minas Imaterial – Saberes da Mesa

 

Episódio 1: Sabará (Ora-pro-nobis)

No primeiro episódio da Série Minas Imaterial, vamos mostrar as delícias preparadas com uma planta versátil, que toma conta dos quintais em Sabará, região Metropolitana de Belo Horizonte. O Ora-pro-nobis, conhecido como o “ouro verde” do município já ganhou até um Festival que valoriza a gastronomia da região.

 

Episódio 2: Mariana (Panelas de pedra)

As panelas de pedra sabão são, há quase 300 anos, a fonte de renda de famílias que vivem em Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana. O produto é extremamente importante para a economia e cultura da região, sendo um ofício passa de geração para geração.

 

Episódio 3: Itabirito (Pastel de Angu)

Os pastéis de angu, feitos em Itabirito, na região metropolitana de Belo Horizonte, conservam um modo de fazer artesanal, considerado patrimônio do município.

 

Episódio 4: Igarapé (Mestras da culinária)

Quintais ricos em ingredientes e cozinhas repletas de memória: no último episódio da 1ª temporada da Série “Minas Imaterial”, a repórter Laura Zschaber foi até Igarapé nos mostrar as mestras da culinária, que são patrimônio da cidade. Suas receitas celebram a chamada “gastronomia de raiz” e conservam aquele gostinho especial de comida de vó.

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