O curta-metragem A Serra do Rola-Moça, dirigido e roteirizado por Rômulo Brasileiro, transforma uma das mais conhecidas lendas mineiras em uma narrativa dramática sobre memória, maternidade e culpa.
A obra acompanha a trajetória de Rita Custódia, personagem interpretada por Júnia Bertolino e Dandara Bertolino, que carrega por mais de cinquenta anos a dor e o remorso pela perda trágica de sua filha. Prestes a concluir seu testamento, em Belo Horizonte, no ano de 1915, Rita encontra um jovem poeta e decide revelar os acontecimentos que marcaram sua vida e deram origem à lendária Serra do Rola-Moça.
Ao alternar diferentes períodos históricos, o filme estabelece um diálogo entre realidade, memória e tradição oral. Segundo o diretor, a escolha narrativa busca tanto possibilitar o encontro entre a protagonista e o poeta que eternizaria a história quanto abordar de forma sensível a dimensão humana da tragédia.
Inspirado na lenda popular e no poema “A Serra do Rola-Moça, Não Tinha Esse Nome Não”, de Mário de Andrade, o filme propõe uma reflexão sobre os segredos familiares, o peso das escolhas e os impactos da culpa ao longo da vida.
Produção
O projeto foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital LPG SECULT-MG 02/2023.
Produzir um drama de época representou um desafio significativo para a equipe, especialmente em razão das locações contemporâneas, da reconstituição histórica, do amplo elenco e das limitações orçamentárias comuns a produções independentes. Ao todo, cerca de 60 profissionais participaram diretamente da realização do filme, além de centenas de colaboradores indiretos. O filme traz, além de novos talentos, nomes conhecidos de artistas mineiros como Carlos Nunes, Ílvio Amaral e Maurício Canguçu.
Pesquisa e inspiração
A ideia surgiu a partir de uma pesquisa desenvolvida por Rômulo Brasileiro. Há mais de quatro décadas vivendo no Vale do Paraopeba, região onde seus avós paternos nasceram e viveram, o diretor se interessou pela origem do nome Serra do Rola-Moça.
“A tragédia já está sugerida no próprio nome. A pesquisa buscou compreender como um acontecimento dramático atravessou gerações até se transformar em lenda e patrimônio cultural da memória mineira”, afirma o diretor.
Sobre Rômulo Brasileiro
Rômulo Brasileiro é jornalista, produtor audiovisual, roteirista e diretor. Bacharel em Comunicação Social pelo UniBH, atua há décadas em projetos de comunicação, audiovisual e produção cultural.
Entre seus trabalhos destacam-se:
Curta-metragem Luzia – Uma Mulher de Cura e Coragem;
Docudrama Mestre Antônio;
Série documental Trilhas do Cerrado;
Programa Tudo de Cerveja;
Produções audiovisuais de artistas como Gilson Alves e Naia Papini.
Sinopse
Belo Horizonte, 1915. Rita Custódia, de 88 anos, está prestes a assinar seu testamento. Vai dividir, em vida, a sua fortuna. Muito rica, nossa protagonista acredita que, talvez, essa atitude possa abrandar o peso da cruz que carrega por mais de 50 anos: sua filha, Ana, que morreu sem saber que ela era a sua verdadeira mãe.
Rita, uma mulher negra, por puro e genuíno amor de mãe, nunca contou esse segredo à filha, que nasceu branca. Manipulada pelo pai da moça a manter o fato em sigilo absoluto, recebeu, em troca disso, muitas terras, que se transformaram na fortuna distribuída no testamento.
Neste dia em que assina o documento, no presente ficcional de 1915, Rita conhece um jovem poeta conta a ele, em detalhes, esse fato que a atormenta por uma vida inteira.
Em 1865, 50 anos antes, incentivada por Rita, a jovem Ana se casa com um “bom partido”. No próprio dia do casamento, ao voltar da igreja a cavalo, tanto ela quanto o noivo morrem em um acidente sinistro. Eles rolam serra abaixo, em um grande desfiladeiro nos morros que circundam o vale do Rio Paraopeba, em Brumado de Baixo, atual Brumadinho.
Vinte e cinco anos à frente, em 1940, esse poeta, já consagrado, escreverá um poema inspirado nessa história, que vai eternizar essa lenda dramática com o título: “A Serra do Rola-Moça não tinha esse nome não” – Mário de Andrade.