As apresentações de ”O amor possível” em 2026 integram as comemorações do aniversário de 30 anos do Teatro Diadokai, grupo fundado por Priscilla Duarte e Ricardo Gomes no Rio de Janeiro (RJ), em 1996, e radicado em Minas Gerais (Ouro Preto/Belo Horizonte) desde 2008. Para celebrar essa data emblemática, o Diadokai volta aos palcos de BH com sua produção mais madura: o espetáculo-solo ”O amor possível”, uma adaptação teatral inédita do romance ”A caverna”, de José Saramago, único Prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa (1988).
A lógica da sociedade pós-industrial, que precariza as condições de trabalho; a ameaça de desaparecimento dos ofícios artesanais; o consumismo desenfreado de imagens, que embotam a sensibilidade; os tempos acelerados, que comprometem as experiências e as relações; e a vulnerabilidade da condição humana frente ao envelhecimento são dramas presentes no livro e na cena.
Em sua densa simplicidade, a cena intimista de ”O amor possível” configura-se como literatura incorporada. A cadência das sonoridades da língua portuguesa, característica do estilo saramaguiano, toma corpo e voz na atuação artesanal da atriz/oleira que encarna a narradora e todas as personagens, enquanto modela, no barro fresco, personagens e objetos que a narrativa evoca. O uso minimalista de uma mesa, uma cadeira, uma bacia d’água, um punhado de barro, um avental, um par de ferramentas potencializa a presença de cada elemento cênico, deixando silêncios e espaços vazios para que o espectador projete neles a sua própria subjetividade. O afinado instrumento corpo/voz de Priscilla Duarte revela a maturidade artística do projeto idealizado pela própria atriz, que dirige o espetáculo ao lado de Ricardo Gomes.
“O amor possível” é um convite à desaceleração e à invenção de outros modos de viver.
Sinopse
Quando o Centro se recusa a comercializar as louças de barro de Cipriano Algor, o velho oleiro vê seu ofício ameaçado de extinção. Agora, os clientes desse shopping center hiperbólico, símbolo da sociedade capitalista, tecnificada e desumanizada, preferem louças de plástico. Em uma jornada de reinvenção de si, que se transforma em ato de resistência e de afirmação da vida, Cipriano Algor encontra o amor na maturidade, com a vizinha Isaura Madruga, e a amizade leal do cão Achado.
Tradução em Libras em todas as apresentações