Em celebração aos 70 anos do lançamento de “Grande Sertão: Veredas”, o ator e dramaturgo Gilson de Barros apresenta a “Trilogia Grande Sertão: Veredas – 70 Anos de Travessia”, reunindo recortes fundamentais da obra-prima de João Guimarães Rosa, traduzidos para a linguagem do teatro. O trabalho foi indicado ao Prêmio Shell (Rio 2023) nas categorias Melhor Dramaturgia e Melhor Ator, e recebeu o Prêmio Arcanjo – Especial 2024 – Melhor Projeto, pelo conjunto da obra.
De 20 a 29 de novembro, o público poderá assistir às três montagens na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, sob a direção de Amir Haddad, referência histórica do teatro brasileiro.
A programação acontece da seguinte forma: sextas-feiras, Riobaldo – recorte dos amores na obra; sábados, No Meio do Redemunho – recorte da dialética bem/mal, Deus/diabo; e domingos, O Julgamento de Zé Bebelo – panorama do sistema de jagunços no sertão mineiro.
Trajetória e circulação
O projeto teve início em 2020, com a estreia de Riobaldo, indicado ao Prêmio Shell 2022 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia). Em 2022, estreou No Meio do Redemunho, aprofundando a investigação filosófica da obra rosiana. Já em 2024, O Julgamento de Zé Bebelo completou a trilogia, com estreia no Teatro Sérgio Cardoso. No mesmo ano, o conjunto das três montagens foi reconhecido com o Prêmio Arcanjo Especial.
No Brasil, a trilogia realizou 647 apresentações em 68 cidades, alcançando aproximadamente 14 mil espectadores. A circulação passou por diversos estados, incluindo São Paulo (capital e interior), Minas Gerais (Belo Horizonte e várias cidades do interior), Rio de Janeiro (capital e municípios como Macaé, Campos, Duque de Caxias, Niterói, Nova Iguaçu e Valença), além de Brasília, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.
Na circulação internacional, foram realizados 10 espetáculos: 6 em Portugal — sendo 5 em Lisboa e 1 no Porto, com público aproximado de 600 espectadores — e 4 na Colômbia, em Bogotá, durante a FILBO, alcançando cerca de 2 mil espectadores. As apresentações consolidam o projeto como um importante vetor de difusão da literatura brasileira no exterior.
“A montagem preserva a especificidade da linguagem poética de Guimarães Rosa, utilizando técnicas de interpretação narrativa que permitem uma imersão profunda na história, respeitando a riqueza linguística do autor”, afirma Gilson de Barros.
“O espaço cênico minimalista, com poucos elementos visuais e sonoros, foi concebido para não sobrecarregar a narrativa, criando um ambiente propício para que o espectador se entregue à força da história e às questões universais que permeiam a obra”, completa Amir Haddad.
SINOPSES
Riobaldo – Sexta (27/11) – Personagem central de “Grande Sertão: Veredas”, Riobaldo revisita seus três grandes amores — Diadorim, Nhorinhá e Otacília — e reflete sobre desejo, culpa, redenção e destino, em um mergulho poético na memória e na palavra.
No Meio do Redemunho – Sábado (28/11) – Já velho fazendeiro, Riobaldo dialoga com o público e revisita passagens de sua juventude como jagunço, refletindo sobre as forças do bem e do mal, Deus e o diabo, e questionando a própria existência do demônio.
O Julgamento de Zé Bebelo – Domingo (29/11) – A peça encena um dos episódios mais emblemáticos do romance: o julgamento de Zé Bebelo, que desafia as leis da violência no sertão ao exigir justiça em um mundo regido pela força.
Guimarães Rosa pelo olhar de Amir Haddad e Gilson de Barros
Amir Haddad
Diretor e ator brasileiro, cofundador do Teatro Oficina (Uzyna Uzona) e criador do grupo Tá na Rua, Amir Haddad construiu uma trajetória marcada pela pesquisa de uma linguagem teatral popular, política e profundamente brasileira. Seu encontro com “Grande Sertão: Veredas” é também um encontro com a língua e a identidade do Brasil.
Gilson de Barros
Ator, dramaturgo e gestor cultural, Gilson de Barros dedica-se há anos ao estudo da obra de Guimarães Rosa, especialmente à personagem Riobaldo. Indicado ao Prêmio Shell 2023 (Melhor Ator e Melhor Dramaturgia), constrói um trabalho de fôlego que alia rigor literário, presença cênica e investigação contínua da palavra rosiana no palco.
Trecho da crítica – Furio Lonza
“Riobaldo é teatro na veia, um Guimarães pocket, algo de novo na dramaturgia nacional; sem adereços, sem cenografia e sem figurinos, mas com uma luz abrasiva pilotada pelo experiente Aurélio de Simoni. Em cena, Gilson de Barros administra o tempo e o espaço como um demiurgo regendo o sol do sertão…”
MINI BIOS
Amir Haddad (direção) – Diretor e ator brasileiro, fundador de grupos fundamentais do teatro nacional, como A Comunidade e Tá na Rua. Reconhecido por sua contribuição à cena brasileira, mantém intensa atividade artística e pedagógica.
Gilson de Barros (ator e dramaturgo) – Formado em Artes Cênicas pela UNIRIO, soma mais de 25 espetáculos no currículo. Trabalhou com diretores como Augusto Boal, Domingos Oliveira e Amir Haddad, com quem desenvolve a Trilogia Grande Sertão: Veredas. Premiado e indicado em importantes festivais e premiações nacionais.
Ficha Técnica
Riobaldo
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Recorte e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário e direção de arte: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Guilherme Rocha e Pedro Azamor
Fotos e vídeos: Renato Mangolin
No Meio do Redemunho
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Recorte e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário e direção de arte: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Guilherme Rocha e Pedro Azamor
Fotos e vídeos: Renato Mangolin
O Julgamento de Zé Bebelo
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
Recorte e atuação: Gilson de Barros
Direção: Amir Haddad
Cenário e direção de arte: José Dias
Figurinos: Karlla de Luca
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação visual: Guilherme Rocha e Pedro Azamor
Fotos e vídeos: Renato Mangolin
Realização: Barros Produções Artísticas Ltda.