Resultado de mais uma parceria entre a Cinemateca Brasileira e o Cine Humberto Mauro, a mostra “A Cinemateca é Brasileira: da Comédia ao Drama” reúne 19 importantes filmes que atravessam diferentes momentos, propostas estéticas e caminhos da história do cinema nacional. Gratuita e aberta ao público, a programação apresenta obras realizadas entre as décadas de 1950 e 2020, reafirmando o Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, como um espaço fundamental do circuito exibidor brasileiro e como uma sala dedicada à preservação, à difusão e à permanente redescoberta de nossas imagens e histórias.
Entre agosto e dezembro de 2026, uma iniciativa leva um pouco do acervo e da história da Cinemateca Brasileira para diferentes cidades do país. Em parceria com espaços culturais e salas de exibição, a mostra percorre Belém, Belo Horizonte, Brasília, Brumadinho, Canaã dos Carajás, Curitiba, Fortaleza, João Pessoa, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, Vila Velha e Vitória, fazendo circular filmes que constituem parte decisiva da memória audiovisual brasileira. Em Belo Horizonte, é o Cine Humberto Mauro que recebe o projeto.
A programação parte de uma questão aparentemente simples: afinal, do que falamos quando dizemos “cinema brasileiro”? Com frequência, os filmes realizados no país são agrupados, antes de tudo, sob o signo de sua nacionalidade. São, simplesmente, “filmes brasileiros”. A origem comum, evidentemente, revela uma história, uma cultura e um território compartilhados, mas também pode obscurecer a extraordinária variedade de formas, narrativas, temas e experiências que constituem nossa cinematografia.
É nesse ponto que os gêneros cinematográficos se tornam uma chave de leitura. Mais do que ferramentas classificatórias, eles organizam expectativas e tradições: a comédia, o drama, o suspense, o terror, a ficção científica, a animação, entre tantos outros, propõem diferentes maneiras de arquitetar histórias, essas formas de olhar para o mundo. São formas reconhecíveis pelo público, mas também estruturas permanentemente transformadas pelos artistas, pelos contextos históricos e pelas culturas nas quais os filmes são produzidos.
Mas vale dizer que no Brasil os gêneros cinematográficos raramente permanecem intactos. Eles se reinventam e assumem características próprias diante das particularidades do país, da nossa cultura. De Candinho e Saneamento Básico às experiências de ficção científica de Branco Sai, Preto Fica e Abrigo Nuclear; do terror de José Mojica Marins e Dennison Ramalho ao realismo fantástico, ao suspense, à animação e ao drama, a seleção desenha um amplo percurso pelas muitas possibilidades de nosso audiovisual. Obras de diferentes épocas dialogam não apenas por suas aproximações com determinados gêneros, mas pela capacidade de revelar como cada período, cada autor, cada canto brasileiro, reinventou, à sua maneira, as imagens do país.
Reunindo cineastas, personagens, paisagens e histórias tão distintas, “A Cinemateca é Brasileira: da Comédia ao Drama” propõe olhar para o cinema nacional em toda sua multiplicidade, atravessada por diferentes territórios, formas de produção, tradições artísticas e experiências históricas… enfim, pela enorme variedade de mundos que o Brasil é capaz de projetar na tela.