INGRESSO

Bilheteria do Palácio das Artes

Segunda a sábado 16h às 22h

Domingo 17h às 21h

Lei de Meia Entrada

Quem tem direito:

Estudantes

Idosos

Pessoas com deficiência

Jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes

Para saber as condições que dão direito à meia-entrada acesse o texto na íntegra.

Cineclube Ibero-Americano | Especial FestCurtasBH
Sessão seguida de comentário de Nayara Aguiar, assistente editorial da plataforma Sara y Rosa.
6 de novembro, sexta-feira, às 17h | Cine Humberto Mauro

Em algumas ficções, a casa costuma guardar uma promessa de suspensão. É o lugar onde o ruído do mundo parece diminuir, onde os personagens podem recolher-se, abandonar por algumas horas as exigências da vida pública e voltar-se para si mesmos. Há nela uma espécie de intervalo: entre o trabalho e o descanso, entre a rua e a intimidade, entre aquilo que somos diante dos outros e aquilo que nos permitimos ser quando estamos a sós.

Mas talvez seja justamente nesse recanto aparentemente protegido que certas coisas possam ser vistas com maior nitidez. Os filmes desta sessão aproximam-se do lar para observar o que acontece quando a tranquilidade cotidiana começa a revelar suas próprias fissuras. Realizados entre 1966 e 1980, no Brasil, em Cuba, no Chile e na Colômbia, eles encontram em situações banais — um café da manhã, uma conversa, o casamento, a rotina de uma dona de casa — sinais de uma experiência feminina muito menos tranquila do que sua aparência sugere.

Em A entrevista, Helena Solberg realiza esse movimento de maneira particularmente aguda. Ao ouvir jovens mulheres da classe média sobre casamento, sexo e profissão, o filme deixa que suas próprias palavras revelem a distância entre o desejo de uma vida moderna e a persistência de modelos tradicionais de feminilidade. O que parecia pertencer exclusivamente à esfera pessoal — escolher um marido, imaginar uma profissão, pensar o próprio corpo e o próprio futuro — revela-se atravessado por valores que uma sociedade inteira ajudou a construir.

Nos outros filmes, a mesma tensão assume diferentes formas. A casa pode ser abrigo, mas também rotina; espaço de intimidade, mas também lugar onde se aprende a obedecer; recanto de silêncio, mas igualmente cenário onde as contradições de uma sociedade chegam sem pedir licença. Assim, aquilo que se passa entre suas paredes não precisa abandonar sua dimensão íntima para adquirir uma dimensão histórica. É justamente porque a vida social também se forma nesses pequenos gestos que a fronteira entre a casa e o mundo se torna tão difícil de traçar.

Talvez seja essa a principal inquietação desta sessão: perceber que, às vezes, é quando o mundo parece finalmente ficar do lado de fora que ele se torna mais presente.

NA PROGRAMAÇÃO
06/11
17h Cineclube Ibero-Americano | Encontro V | 16 anos | 1h25
Por la mañana (Patrícia Restrepo, Colômbia, 1980, 8’)
La dueña de casa (Valéria Sarmiento, Chile, 1975, 23’)
A entrevista (Helena Solberg, Brasil, 1966, 20’)
Minha contribuição (Sara Gómez, Cuba, 1969, 34’)

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