O projeto curatorial da 17ª Mostra da Escola de Artes Visuais, CHAMA Permanências: Revisitar passados para construir futuros, propôs aos estudantes do Curso Básico de Curadoria uma investigação sobre o tema: “Invenções poéticas e memórias: linguagens e materialidades nas artes visuais”. Esse tema parte das comemorações dos 55 anos do Palácio das Artes e dos 10 anos da Escola de Artes Visuais do Cefart, um espaço que acolhe e forma artistas de todas as vertentes. Nas artes visuais, alguns nomes marcaram essa história, nomeando galerias e compondo o acervo da Instituição. Um desses nomes é o de Arlinda Corrêa Lima, artista que, como muitos outros, buscou em suas memórias invenções poéticas, explorando diversas linguagens e materiais.
Os estudantes pesquisaram o tema e elaboraram conceitos que abordam a questão da memória e da criação nas artes visuais. A proposta partiu da ideia de explorar o tempo, pensando em passado e futuro, provocando os artistas a criarem e a refletirem sobre seus processos inventivos por meio da memória, da materialidade e de técnicas diversas.
Dentro da proposta pedagógica do curso, além de criarem o conceito e o título da Mostra, os estudantes elaboraram um edital de chamamento interno para a Escola e realizaram a análise e a seleção das obras inscritas. A partir da seleção, foram criados núcleos temáticos e textos complementares, observando trabalhos que possuem diálogos mais estreitos entre si. O objetivo é provocar o olhar do espectador para as particularidades de cada grupo de obras, seja por questões conceituais ou visuais. Por fim, foram elaborados um texto de apresentação da artista homenageada e um texto curatorial.
Veja, a seguir, o resultado desse trabalho, realizado com muito empenho e dedicação pelos estudantes envolvidos no processo.
Professor Giovane Diniz
TEXTO CURATORIAL
Permanências: Revisitar passados para construir futuros
“A memória permite a relação do corpo presente com o passado e, ao mesmo tempo, interfere no processo atual das representações”. (Henri Bergson, filósofo)
O fazer artístico manifesta-se em múltiplas formas que, por meio de linguagens próprias, evocam sensações, conexões e lembranças de tempos vividos. As obras aqui apresentadas criam espaços poéticos de atravessamento entre memória, território e identidade. Nesse sentido, ao entrelaçar arte, memórias e suas conexões com o passado, presente e futuro, a mostra nos convoca a uma reflexão e atenção, criando oportunidades para construção de narrativas futuras.
Com diferentes narrativas, linguagens e técnicas, como pinturas (reproduções), fotografias, colagens, entre outras, a exposição une produções artísticas: uma obra da artista Arlinda Corrêa Lima (homenageada) e dois núcleos temáticos com obras dos estudantes da Escola: Sobre raízes e memórias e Cartografias de lembranças. A seleção partiu de uma chamada interna para os estudantes. A exposição conta também com videoarte, produções do projeto educativo e um painel com intervenção, produzido coletivamente. Nesse contexto, a criação afirma-se como prática aberta, capaz de desafiar limites e estabelecer novas formas de relação com o mundo. Propõe-se, assim, um território de encontros, no qual diferentes poéticas se expandem em diálogo e em um contínuo movimento de criação.
A CHAMA “Permanências: Revisitar passados para construir futuros” convidou artistas a refletirem sobre como suas produções mobilizam processos inventivos nas artes visuais, evidenciando a diversidade de trajetórias, suportes e pesquisas. Assim como a artista homenageada, que com sua luta e sensibilidade construiu seu legado, contribuindo para a formação de novos artistas e outras perspectivas para a arte e a educação, esta mostra faz o convite para revisitar as memórias, que também se apresentam por meio das obras nesta exposição, possibilitando permanências e sentidos para outras criações. Como diz o artista Cildo Meireles, “O melhor lugar para a arte é a memória”.
Estudantes do Curso Básico de Curadoria
TEXTO – ARTISTA HOMENAGEADA (Acervo da FCS)
Arlinda Corrêa Lima (1927–1980) nasceu em Vespasiano (MG). Sua trajetória percorre a pintura, a cerâmica, a gravura e a ilustração, sempre atravessada por um olhar pedagógico sensível, que orientou tanto sua produção plástica quanto sua atuação profissional. Foi aluna do mestre Alberto da Veiga Guignard, em Belo Horizonte, e especializou-se em desenho na Escola Nacional de Belas Artes (RJ).
Na área da educação, aprofundou seus conhecimentos em Psicopedagogia e Psicopatologia da Arte com estudos na França, consolidando-se como pioneira na defesa da arte infantil como recurso educacional e terapêutico, realizando exposições mirins no Brasil e no exterior. Trabalhou ao lado da psicóloga e pedagoga Helena Antipoff, promovendo a inclusão de crianças com deficiência por meio da expressão artística. Comprometida com a potência criativa como caminho de cura, construiu uma carreira sensível e dedicada à infância. No Palácio das Artes, uma de suas obras integra o acervo da Instituição e uma das galerias leva seu nome, em homenagem a essa grande figura das artes e da educação.
Estudantes do Curso Básico de Curadoria
TEXTOS DOS NÚCLEOS TEMÁTICOS
Sobre raízes e memórias
As obras aqui reunidas abordam memórias como construção coletiva, a partir de heranças familiares, culturais e religiosas. Recordam narrativas que ultrapassam o indivíduo, conectam experiências pessoais a contextos mais amplos, como a transmissão de saberes entre gerações, rituais de fé, marcos históricos e vestígios de trajetórias compartilhadas. Nesse conjunto, as lembranças manifestam-se como arquivo vivo, no qual o passado é continuamente reativado no presente por meio de imagens, símbolos e afetos. As obras dialogam entre si com a ideia de legado, evidenciando como histórias são preservadas e reinterpretadas ao longo do tempo.

Artistas: Silvério Coelho, Dea Nunes, Arlley de Brito, Virgínia Moreira, Sarah Elen, AUGUSTODOSANTOS, Giovanna Bielovic, Jan Freitas e Kamylla Fetal.
Cartografias de lembranças
Neste núcleo, as obras são mais íntimas e sensíveis ao ato de lembrar: um convite a observar as experiências subjetivas e os territórios internos de cada artista, como um mapeamento de suas recordações. A memória não aparece como narrativa linear ou coletiva, mas como um fluxo contínuo, um campo em constante transformação. Os trabalhos remetem a mapas afetivos, nos quais emoções, lembranças e vivências são reorganizadas de forma singular, revelando processos de autoconhecimento, elaboração e reinvenção. Recordar é também criar, cada imagem traça um percurso próprio, em que o passado é revisitado a partir da sensibilidade do presente, abrindo espaço para novas leituras e sentidos.

Artistas: Mari Martins, Yuri V San, Lana Stëfany, Bea Pastorini Nogueira, Gabriella L. Winter, Alice Araújo, Sildelane V. Marques, Dailane Ercília de Paula e Paulo Candido.
Estudantes do Curso Básico de Curadoria: Andrea Cardoso Nunes, Ândrea Vitória Cavalcanti Müller, Arlley de Brito Magalhães Sousa, Augusto dos Santos, Beatriz Ferreira Hirt, Beatriz Junko Soares Silva, Bruno Augusto Rodrigues, Claudia Alves de Menezes, Daiane Ferreira Guimarães, Giovanna Vicentim Bielovic, Gustavo de Freitas Sivi, Isadora Fernanda Nunes Kern, Isys Gouveia Rodrigues, Janderson Magela Almeida Freitas, Marizélia Martins Pereira, Paulo Henrique de Alcântara Candido, Pollyana Pedro Caetano, Raquel Tomanik, Saulo de Araújo Rodrigues, Sildelane Vitor Marques, Silverio J Coelho, Thais de Paula Morgado Monteiro, Virgílio Augusto F. M. Silveira de Souza, Walter de Sousa Silva, Wiviane Sena da Silva e Yuri Victor Santos Gomes
Orientação: Professor Giovane Diniz.