Curso Básico de Expografia

A expografia da 17ª Mostra CHAMA Permanências: Revisitar passados para construir futuros parte da ideia de memória como experiência viva, atravessada por afetos, temporalidades e encontros. Nesse contexto, a exposição propõe refletir sobre aquilo que permanece, se transforma e continua ao longo das gerações, celebrando assim os 55 anos do Palácio das Artes. Em diálogo com o conceito curatorial, o espaço expográfico se organiza como um percurso aberto contínuo, convidando o público a circular entre o passado e o presente, explorando as obras no seu próprio ritmo e construindo suas próprias conexões. A expografia acompanha essa proposta ao criar um ambiente acolhedor, sensível e acessível, valorizando tanto as singularidades de cada trabalho quanto o conjunto da exposição. 

A fachada da exposição funciona como um convite para essa travessia. Inspirada na identidade visual da 17ª Mostra CHAMA, ela incorpora elementos gráficos ligados à memória afetiva e à transformação, especialmente por meio de flores e folhagens presentes na comunicação visual. Esses elementos simbolizam nascimento, permanência, transformação e reinvenção, evidenciando o que resiste e floresce ao longo do tempo. Assim, as flores que destacam a galeria não atuam apenas como elementos decorativos, mas também como marcas visuais que conectam a homenagem à artista Arlinda Corrêa Lima, sua relação com a temática floral e a própria ideia de memória como algo vivo e em constante movimento. 

A organização espacial da galeria foi pensada a partir de uma setorização que conduz o visitante por diferentes núcleos e experiências ao longo do percurso expositivo. A imagem abaixo evidencia essa divisão dos espaços, permitindo visualizar como os setores articulam entre si, de forma contínua e integrada. O percurso inicia com os núcleos dedicados às produções dos estudantes, atravessa o espaço da artista Arlinda Corrêa Lima e finaliza em uma área voltada à intervenção e permanência do público. Essa organização busca criar uma narrativa espacial que acompanhe os atravessamentos entre memória individual e coletiva presentes na exposição.

Tomando como referência cores que remetem à memória afetiva, as obras dos estudantes são expostas de forma assimétrica, incorporando diferentes tamanhos e configurações, em paredes de tons neutros que destacam suas singularidades, trazendo clareza visual ao público. Em contraste, o bordô marca o espaço dedicado à artista homenageada, criando um ponto de maior intensidade e destaque dentro da exposição. Já a cor verde, ao final, indica um espaço de encontro e permanência, dedicado às intervenções, convidando o público a pausar, observar e continuar a experiência. 

A composição do espaço expositivo inclui bancos, televisores e tótens expositivos pensados para se integrarem ao ambiente de maneira sutil e funcional. Os mobiliários foram pensados para integração ao ambiente, sem competir com as obras, reforçando a unidade visual da exposição, buscando trazer a ideia de conforto, do caseiro, do antigo, de forma a envolver os visitantes em lembranças e sentimentos familiares. 

Alinhando-se à proposta curatorial de refletir sobre a construção da memória coletiva e individual, entendendo o futuro como um processo contínuo de transformação, o espaço de intervenção exibe uma linha do tempo no qual se estabelecem conexões entre diferentes tempos, trajetórias e acontecimentos relacionados ao Palácio das Artes e à Escola de Artes Visuais do Cefart. Dessa forma, a exposição ultrapassa a função de suporte para as obras e se constitui como um espaço de encontro, compartilhamento e construção contínua de memórias e experiências poéticas, onde se evidencia a trajetória construída ao longo dos anos e se reforça a importância da Mostra na história do Palácio das Artes. 

Além da dimensão estética, o projeto expográfico também considera a acessibilidade e a autonomia dos visitantes. O posicionamento dos elementos no espaço busca favorecer a circulação de diferentes públicos, permitindo experiências mais livres e contemplativas. Dessa forma, a expografia se apresenta como parte fundamental da experiência da exposição, contribuindo para a construção de um espaço de memória, permanência e partilha.

Fotos: Bruna Gonçalves
Fotos: Bruna Gonçalves
Fotos: Bruna Gonçalves
Fotos: Bruna Gonçalves
Fotos: Bruna Gonçalves
Neste vídeo, confira um tour da exposição a partir da modelagem do projeto da 17ª Chama

FICHA TÉCNICA 

Projeto Expográfico 

Desenvolvido pelos estudantes e orientado pelas professoras do Curso Básico de Expografia

Professoras Bruna Gonçalves, Marília Fernandes e Nathália Campos 

Estudantes Ana Paula Lage Ladeira, Beatriz de Aquino Costa, Beatriz Pastorini Nogueira, Débora Ferreira dos Santos, Edilene de Jesus Martins Fernandes, Emanuelly Silva de Oliveira, Fernanda Oliveira Soares, Fernanda Vidigal Rachid Silva, Iêda Angela Rodrigues, Iolanda Guilherme Soares Pinto, Júlia Antunes Martins da Costa, Kamylla Dias Fetal Ferreira, Larissa Camargos Souza Castro, Pedro Henrique Miranda Bahia, Tassia Xavier de Araújo e Virgínia Gabrielle Silva Moreira

Texto Ana Paula Lage Ladeira, Beatriz de Aquino Costa, Débora Ferreira dos Santos, Edilene de Jesus Martins Fernandes, Júlia Antunes Martins da Costa e Virgínia Gabrielle Silva Moreira

Linha do Tempo Fernanda Oliveira Soares e Tassia Xavier de Araújo 

Manual de Montagem Emanuelly Silva de Oliveira e Pedro Henrique Miranda Bahia

Memorial Descritivo Beatriz Pastorini Nogueira, Iêda Angela Rodrigues, Iolanda Guilherme Soares Pinto e Fernanda Vidigal Rachid Silva

Modelagem 3D Emanuelly Silva de Oliveira e Kamylla Dias Fetal Ferreira 

Plantas de Apresentação Kamylla Dias Fetal Ferreira e Pedro Henrique Miranda Bahia

Edição de Vídeo Larissa Camargos Souza Castro

Animação de Cena Emanuelly Silva de Oliveira

Trilha Sonora Mel Salgado (Retro Elevator Funk)

Identidade Visual Professor Rodrigo Castilho e estudantes do Curso de Formação Inicial Continuada (FIC) em Assistente de Produção Cultural 

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