Em 2026, o Palácio das Artes completa 55 anos. Enquanto quatro galerias do espaço exibem uma mostra com o acervo de artes visuais da Fundação Clóvis Salgado (FCS), instituição gestora do Palácio, a Escola de Artes Visuais do Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART) da FCS inaugura a mostra “Chama”, parte do Festival CEFART (que reúne atividades em diversas linguagens). A 17ª edição, intitulada “Permanências: Revisitar passados para construir futuros”, celebra os 55 anos do Palácio e homenageia a pintora, professora, ceramista e psicopedagoga Arlinda Corrêa Lima, que dá nome a uma das galerias do complexo e possui uma obra no acervo da instituição; marca, ainda, os 10 anos da Escola de Artes Visuais do CEFART. Serão 19 imagens – 18 de estudantes e 1 de Arlinda – expostas na PQNA Galeria Pedro Moraleida, que também contará com 16 pop cards, além de outras atividades artístico-culturais na Galeria Aberta Amilcar de Castro e no Café do Palácio. A exposição pode ser visitada até o dia 26 de julho de 2026. As galerias do Palácio das Artes têm entrada gratuita. A partir de 27 de julho, a mostra segue em formato virtual, no site da Fundação Clóvis Salgado.
Realizada tanto pelo corpo docente quanto pelos estudantes da Escola, a mostra “Chama” ocorre desde 2017, ao final de cada semestre, encerrando o ciclo dos Cursos de Arte Educação, Curadoria, Expografia e Assistente de Produção Cultural, e possibilitando a prática dos conteúdos abordados em sala de aula.
A programação inclui, além das exposições, atividades como rodas de conversa, oficinas, ações de mediação cultural e propostas artísticas diversas, e ainda se integra às outras mostras e espetáculos do CEFART e também aos eventos e efemérides da Fundação Clóvis Salgado, promovendo o intercâmbio entre artistas, professores, técnicos e profissionais experientes e os/as alunos/as.
Nascida em Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte, Arlinda Corrêa Lima (1927-1980) foi aluna de Alberto da Veiga Guignard, estudou em Hamburgo e Munique (Alemanha) e fundou escolas de arte em Belo Horizonte, com orientação psicopedagógica. Além da atuação como artista e professora, organizou mostras de arte infantil em Hamburgo, Praga (República Tcheca) e Sèvres (França). Em sua homenagem, os estudantes da Escola de Artes Visuais elaboraram a proposta da 17ª edição da mostra “Chama”, a partir de atividades de criação coletiva que procuraram dialogar com alguns elementos da obra da artista, como pontua a Coordenadora da Escola de Artes Visuais, Mariana Rodrigues.
Os trabalhos dos estudantes dialogam com a trajetória de Arlinda Corrêa Lima ao valorizarem a memória, a experimentação criativa e a relação entre arte-educação e identidade, estabelecendo conexões entre passado, presente e futuro. A artista tinha, por exemplo, grande apreço por flores, sendo esse um dos elementos preferidos em suas obras, que é retomado nas criações dos alunos e nas atividades que a mostra traz.
A escolha das obras dos estudantes foi feita por meio de um chamamento interno na Escola. A seleção traz pinturas, fotografias, colagens e outras feitas a partir de outras técnicas. A pesquisa, elaboração do conceito, construção do edital, título, análise e seleção das obras foram realizadas pelos estudantes do Curso Básico em Curadoria.
Isadora Kern, uma das alunas, explica que participar de todas as etapas do processo curatorial ampliou a compreensão dela e dos demais estudantes acerca do papel da curadoria e sua responsabilidade na construção de narrativas, permitindo aos alunos compreender, na prática, como a curadoria também contribui para preservar a memória institucional, valorizar o patrimônio artístico e estabelecer conexões entre a produção contemporânea, o acervo e a história das artes visuais em Minas Gerais.
Sabendo da importância histórica do acervo da Fundação Clóvis Salgado, desde 2022, professores decidiram prestar tributo a artistas com obras presentes na coleção. Já foram homenageados nove artistas, incluindo a restauração de uma obra, a produção de três táteis e nove audiodescrições.
A “CHAMA: 17ª Mostra da Escola de Artes Visuais do Cefart – ‘Permanências: Revisitar passados para construir futuros’” é realizada pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Clóvis Salgado. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.