INGRESSO

Bilheteria do Palácio das Artes

Segunda a sábado 16h às 22h

Domingo 17h às 21h

Lei de Meia Entrada

Quem tem direito:

Estudantes

Idosos

Pessoas com deficiência

Jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes

Para saber as condições que dão direito à meia-entrada acesse o texto na íntegra.

Poucas personagens femininas da história brasileira foram submetidas a um processo tão intenso de transformação em imagem, em lenda, quanto Xica da Silva. A sua trajetória – marcada pelas contradições, máculas e sotaques da Brasil colonial – foi continuamente reinventada pelo imaginário brasileiro. E, no cinema, sua imagem encontrou uma das formas mais exuberantes de permanência.

No dia 15 de setembro, o Cine Humberto Mauro recebe uma sessão especial de “Xica da Silva” (Carlos Diegues, Brasil, 1976), em uma nova cópia restaurada em 4K. A exibição integra uma ocasião particularmente significativa para o Palácio das Artes: enquanto o Grande Teatro apresenta a ópera inédita Chica da Silva, encomendada pela Fundação Clóvis Salgado, o cinema se volta para outra obra que, há cinco décadas, inscreveu a personagem no imaginário cultural brasileiro. Em dois espaços de uma mesma instituição, cinema e ópera encontram-se diante de uma figura histórica comum – não para produzir uma única “Xica”, mas para destacar a multiplicidade de abordagens que se construíram em torno dessa personagem.

Realizado em 1976 por Cacá Diegues, Xica da Silva ocupa um lugar singular na história do cinema brasileiro. Ao tomar como ponto de partida a personagem histórica, o filme não pretende simplesmente reconstituir o passado. Interpretada pela grande atriz Zezé Motta, ela se torna o centro absoluto de uma narrativa que mistura humor, erotismo, música, espetáculo e crítica social, deslocando a personagem dos limites da representação histórica para fazê-la existir como força de imaginação. Essa operação é particularmente interessante porque o filme surge em um Brasil ainda submetido à ditadura militar.

Quase cinquenta anos depois, a restauração em 4K oferece uma oportunidade de reencontro com essa obra em condições técnicas renovadas. A recuperação da imagem e do som devolve à experiência cinematográfica a dimensão material de um filme concebido para a grande tela dos cinemas, permitindo perceber com maior nitidez sua fotografia, suas cores, seus figurinos, seus movimentos e a riqueza visual de sua construção.

O Palácio das Artes, por meio de diferentes linguagens e espaços, transforma-se em lugar de encontro entre tempos, formas e modos de imaginar o Brasil e seus personagens. A personagem histórica atravessa a tela e o palco, a música e a palavra, a pesquisa e a fantasia. E, ao atravessá-los, revela também algo sobre aqueles que a representam: sobre o Brasil que cada época escolhe enxergar quando olha para Xica da Silva.

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