INGRESSO

a partir de R$60

Lei de Meia Entrada

Quem tem direito:

Estudantes

Idosos

Pessoas com deficiência

Jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes

Para saber as condições que dão direito à meia-entrada acesse o texto na íntegra.

Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido.

O espetáculo estreou em Portugal em 2024, e chegou ao Brasil em fevereiro de 2025, onde cumpriu uma extensa turnê que já acumula cerca de 250 mil espectadores em 50 cidades e 9 países, sempre com sessões extras e lotação esgotada. O trabalho rendeu a Gregorio o troféu de Melhor Ator na última edição do Prêmio Bibi Ferreira e também o Prêmio do Humor de Melhor Texto e Melhor Espetáculo.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”. 

A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregorio nos improvisos do espetáculo Portátil. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora:

“Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana – uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato –, que estreia na função de diretora teatral.  

“O Céu da Língua” não é um recital, e tampouco o artista declama Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregorio não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define.

“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto, e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado”.

Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem. Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa.  Assim, o protagonista brinca com códigos, por exemplo, como aqueles que em sua maioria só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados.

As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregorio extrai humor.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos. Para provar que a poesia é popular, Gregorio chama atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, citados em “O Céu da Língua” através das canções “Chão de Estrelas” (1937) e “Livros” (1997). “Os nossos compositores conseguiram realizar o sonho de Oswald de Andrade de levar poesia para as massas”, festeja o ator.

Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregorio e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.

O CÉU DA LÍNGUA

Interpretação: Gregorio Duvivier

Direção: Luciana Paes

Texto: Gregorio Duvivier e Luciana Paes

Assistente de direção, criação visual e projeções: Theodora Duvivier

Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune

Iluminação: Ana Luzia de Simoni

Técnico de Luz: Lelê Siqueira

Desenho de Som: Dugg Mont

Diretor de Palco: Reynaldo Thomaz

Figurino: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente

Cenografia: Dina Salem Levy

Assistente de cenografia: Alice Cruz

Comunicação: Lucas Sancho

Fotos: Joana Calejo Pires, Priscila Prade e Raquel Pelicano

Identidade visual divulgação: Laercio Lopo

Design gráfico publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David

Marketing digital: Renato Passos

Assistentes de Produção: João Byington de Faria e Rafaela Correia

Produtora Executiva: Dani Mattos

Produtor Executiva: Lucas Lentini

Gerente de Projetos: Andréia Porto

Direção de Produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha

Produção: Pad Rok 

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