Depois de percorrer o Brasil e se apresentar em sete países, o espetáculo “Olympia”, do Grupo Teatro Andante, retorna a Belo Horizonte para comemorar seus 25 anos de trajetória e 50 anos da morte de Sinhá Olympia. Participou da Campanha de Popularização e agora estará no Palácio das Artes em agosto. Inspirado na história real de Sinhá Olympia, personagem lendária que viveu nas ruas de Ouro Preto, a montagem é um solo da atriz Ângela Mourão, com direção de Marcelo Bones e texto de Guiomar de Grammont.
As apresentações de “Olympia” serão de 6 a 9 de agosto, no Teatro João Ceschiatti, de quinta a domingo, às 20hs (na sexta feira as 20h30). Os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente pelo site da FCS ou diretamente na bilheteria do Palácio das Artes a preços populares de R$40 e R$20,00.
Ao longo de duas décadas e meia, “Olympia” atravessou contextos, culturas e territórios muito distintos, mantendo viva uma narrativa que, embora profundamente enraizada em Minas Gerais, mostrou-se universal. “Quando a gente começou, eu pensava que talvez fosse uma história muito local, mas, com o tempo, ficou claro que a Olympia toca um arquétipo. Em todo lugar alguém dizia: tem uma Olympia na minha cidade, na minha família, ou eu me sinto um pouco como ela. Aí a gente entende que ela é de Ouro Preto, mas é do mundo também”, conta Ângela.
Essa identificação profunda com o público ajudou a construir a longevidade do espetáculo, apresentado centenas de vezes em contextos muito diversos. “Olympia” já ocupou palcos tradicionais, espaços abertos, teatros de cidade pequena, festivais internacionais e até um circo na periferia de Vitória. A montagem esteve no interior do Amazonas, onde o cenário precisou atravessar o rio de barco, e no sul da Argentina, na Patagônia, em teatros construídos e geridos por coletivos locais. “Olympia é um espetáculo atemporal, atual, e está em qualquer lugar. Isso é muito bonito”, resume a atriz.
A personagem também atravessou profundamente a própria Ângela Mourão. “A Olympia sempre me ensinou que nem sempre a gente precisa estar dentro do padrão. Ela vivia nas fronteiras, entre a rua e a casa, entre a sanidade e a loucura, entre o real e o imaginário. E essas fronteiras também podem ser bons lugares para viver”, reflete Ângela. Segundo a atriz, interpretar Olympia por tanto tempo também revelou a possibilidade de uma vida longa, pessoal e artística. “Ela me ensina sobre longevidade, dem vida e de arte”. Esta temporada marca uma homenagem a mais à Dona Olympia, no mês do seu aniversário: ela nasceu em 31 de agosto de 1889 e viveu bastante, 87 anos, morrendo em 1976.
Essa permanência no tempo não significa repetição. Ao contrário, “Olympia” segue atual ao abordar temas como o espaço público, a condição da mulher na sociedade, a diferença e os limites entre normalidade e desvio, tudo isso por meio de uma linguagem cênica que combina tradição e contemporaneidade, ancorada em uma dramaturgia assinada em conjunto com Guiomar de Grammont, e construída de forma polifônica, com múltiplas vozes que narram, comentam e tensionam a história da personagem, apoiadas por uma trilha original, trabalho corporal rigoroso e recursos de dança e máscara.
“Não é só a história da Olympia”, explica Ângela. “Existem muitas camadas e trabalho artístico para construir o espetáculo em si, a forma como ele é estruturado, as técnicas corporais e vocais, a música, a estética. Tudo isso dialoga com a tradição mineira, nossas histórias, as histórias do Brasil, mas também com um teatro muito contemporâneo, com as questões contemporâneas, conversa com o público de hoje”.
Voltar ao Palácio das Artes, depois de tantos anos de estrada, tem um caráter muito especial. Ângela e Marcelo foram professores do CEFART, e sentem o Palácio das Artes como sua casa. “Vivemos experiências maravilhosas aqui, durante meus 27 anos como professora, preparadora corporal e diretora de espetáculos. Para lembrar, os mais marcantes foram o ‘Antepenúltima Estação’ e ‘A Barrigada’, que deixaram marcas na escola e na cena teatral da cidade”, nos conta Ângela, cheia de alegria de voltar à casa.
Para quem já viu, é a chance de reencontrar “Olympia” sob novos olhares. Para quem nunca viu, é o encontro com uma personagem e um espetáculo que seguem vivos, pulsantes e cheios de sentido, após 25 anos de caminhada.
Sobre o Grupo teatro Andante
Fundado em Belo Horizonte em 1990 por Marcelo Bones e Ângela Mourão, o Grupo Teatro Andante construiu ao longo de mais de três décadas uma trajetória marcada pela pesquisa continuada, pela circulação ampla e pelo diálogo direto com públicos diversos. Reconhecido por um teatro que atravessa fronteiras geográficas, culturais e estéticas, o grupo mantém uma prática artística baseada no encontro, na escuta e na investigação da cena como espaço de experiência viva. Olympia, em cartaz há 25 anos, é hoje o espetáculo mais longevo do Andante e sintetiza essa caminhada, reunindo pesquisa, rigor artístico e uma relação profunda com o público, no Brasil e fora dele.
A criação de “Olympia” marca também a parceria do Grupo Teatro Andante com a escritora Guiomar de Grammont, autora do texto do espetáculo. Construída em diálogo com a pesquisa cênica do grupo, a dramaturgia se tornou uma das obras mais reconhecidas de sua trajetória no teatro, contribuindo para a força e a permanência de “Olympia” ao longo de seus 25 anos de circulação.