Em maio, a sessão da meia-noite traz ao público do Cine Humberto Mauro, o filme “Os Demônios” (The Devils, 1971), um dos trabalhos mais controversos do cinema dos anos 1970. Levemente inspirado em acontecimentos históricos ocorridos na França do século XVII, o filme encena a queda do padre Urbain Grandier em meio a um processo de histeria coletiva, repressão religiosa e disputa de poder.
Dirigido por Ken Russell, o filme articula de forma intensa elementos do drama histórico, do horror e de alegorias políticas, construindo uma experiência marcada por contrastes extremos entre o sagrado e o profano, o desejo e a repressão, o corpo e a instituição, a fé e a decadência. Ao abordar a religião não como espaço de transcendência, mas como terreno de disputa e controle, a obra expõe como o poder pode instrumentalizar o medo e o fanatismo, transformando crenças num mecanismo de violência.
Ao mesmo tempo, sua encenação excessiva e deliberadamente provocadora – que combina teatralidade, violência e imagens de forte impacto – inscreve o filme em uma linhagem de obras que desafiam os limites da representação e do próprio espectador. Até os dias de hoje, o filme permanece como um exemplo contundente de um cinema que recusa moderação e busca confrontar, mais do que apaziguar, quem o assiste.
17/04 SEX
23h59 SESSÃO DA MEIA NOITE | Os Demônios (The Devils, Ken Russell, Reino Unido, 1971) | 18 anos | 1h51
Ambientado na França do século XVII, o filme acompanha o padre Urbain Grandier (Oliver Reed), cuja conduta entra em choque com as estruturas morais e políticas de sua época, desencadeando uma escalada de acusações e perseguições. A partir da obsessão da freira Jeanne des Anges (Vanessa Redgrave), a narrativa mergulha em um ambiente de repressão, histeria coletiva e manipulação institucional. Marcado por imagens de forte impacto e por sua abordagem provocadora da religião e do poder, o filme gerou intensa controvérsia em seu lançamento, sendo alvo de censura e cortes em diversos países. Com o tempo, consolidou-se como uma obra cult e um dos trabalhos mais radicais do cinema britânico, reconhecido por sua ousadia estética e pela crítica feroz às estruturas de dominação.