Dia 30 de janeiro, o Cine Humberto Mauro recebe a “Sessão Terra Oculta”, que apresenta ao público um conjunto de filmes recentes realizados por novos cineastas brasileiros, cujos trabalhos revelam não apenas talento individual, mas uma atenção sensível ao mundo que os cerca. São obras que nascem de diferentes regiões, experiências e imaginários, compondo um retrato múltiplo e vivo de um cinema em formação — atento às particularidades de cada território e, ao mesmo tempo, aberto a questões universais.
Há nesses filmes uma confiança rara na criatividade como forma de conhecimento. Cada realizador parece partir de um ponto íntimo — uma paisagem, uma memória, uma inquietação — para, a partir daí, construir imagens que ultrapassam o dado imediato da realidade. O que se vê não é a simples descrição de lugares ou situações, mas o esforço de compreender o que pulsa sob a superfície: os afetos, os medos, as ausências e os desejos que moldam a experiência humana.
Embora diversos em linguagem, ritmo e abordagem, os curtas reunidos em Terra Oculta dialogam entre si pela maneira como transformam o espaço em expressão. Estradas, cidades, sertões, edifícios ou árvores deixam de ser meros cenários e passam a atuar como forças vivas, capazes de revelar conflitos internos, tensões sociais e modos singulares de habitar o mundo. Cada filme carrega a marca de uma regionalidade específica, não como limite, mas como ponto de partida para uma observação mais ampla da condição contemporânea.
Essa diversidade não fragmenta a sessão; ao contrário, é justamente ela que lhe confere unidade. O conjunto sugere um cinema brasileiro jovem que se permite experimentar, fabular e imaginar, sem perder de vista a realidade que o atravessa. Ao apresentar esses trabalhos lado a lado, Terra Oculta oferece ao espectador a oportunidade de acompanhar o surgimento de novos olhares — ainda em formação, mas já capazes de afirmar uma relação própria, sensível e criativa.