INGRESSO

Bilheteria do Palácio das Artes

Segunda a sábado 16h às 22h

Domingo 17h às 21h

Lei de Meia Entrada

Quem tem direito:

Estudantes

Idosos

Pessoas com deficiência

Jovens de 15 a 29 anos comprovadamente carentes

Para saber as condições que dão direito à meia-entrada acesse o texto na íntegra.

No dia 1º de abril, o Cineclube Ibero-americano Permanente realiza seu segundo encontro no Cine Humberto Mauro, com exibição gratuita do filme Señora de Nadie (1982), dirigido por María Luisa Bemberg. A sessão integra a primeira jornada do cineclube, “As fictícias fronteiras do lar”, dedicada a discutir como cineastas ibero-americanas exploraram, pela ficção, as tensões entre vida doméstica e emancipação feminina.


Cineclube Ibero-americano Permanente

Instituto Cervantes – BH | Cine Humberto Mauro | Plataforma Sara y Rosa

I Jornada (2026): As fictícias fronteiras do lar

Na fortuna crítica de um “cinema de mulheres”, como se convencionou designar um corpo cinematográfico de feições feministas que desponta, com mais fôlego, a partir dos anos 1970 e 1980, sublinha-se, com frequência, os conflitos – jamais irreconciliáveis – entre duas importantes tendências. Por um lado, havia obras que respondiam ao chamado, verbalizado pioneiramente por Claire Johnston (1973), por inovações e experimentações no terreno da linguagem, que desafiassem cânones narrativos e estéticos de um campo hegemonicamente forjado por homens. Por outro, as urgências de um tempo assinalado por contundentes revoltas – da Revolução Cubana e do Maio de 68, na França, às insurreições contra as ditaduras na América Latina -, motivaram uma produção de caráter documental e intervencionista, que, seguindo a máxima marxiana, apostava na vocação do cinema não apenas para interpretar, mas para transformar um mundo inóspito.

Ao cartografar esses terrenos mais punjantemente ocupados por realizadoras indômitas, a teoria feminista de cinema, talvez, tenha se furtado de uma discussão sobre os usos, igualmente desobedientes, que algumas delas fizeram de uma estrutura narrativa considerada dominante. Apesar dos desafios materiais, financeiros e simbólicos – sobretudo nos países do Sul Global – algumas diretoras – da mexicana Adela Sequeyro (1901-1992) à brasileira Tereza Trautman (1951) – conseguiram ficcionalizar seus desejos e lutas.

Almejamos inventariar e debater, então, as apropriações feministas – que antecederam ou catalisaram o despertar do “cinema de mulheres” – da aparentemente intransponível redoma da ficção. Longe de apontar para qualquer convergência pacificadora, buscamos apresentar ao público um conjunto necessariamente heterogêneo de filmes e formas – evidentemente, contaminados por seus contextos geográficos e territoriais específicos. Dito isto, as fronteiras culturais que distinguem os países da Ibero-américa são sempre mais porosas do que podemos supor.

Assim, também nos interessam as aproximações insuspeitas e (in)conscientes entre as obras que revelam nossas afinidades, mais ou menos plácidas, na diferença. De partida, nota-se uma ânsia de diferentes gerações de pioneiras pela transposição de outras demarcações fronteiriças: no caso, das margens que separam a vida privada da vida pública. Implodindo domesticidades e o bom comportamento, seus filmes expandem os limites e os horizontes da experiência feminina.

Promovidos pelo Instituto Cervantes BH e pelo Cine Humberto Mauro, e alinhavados pelo trabalho curatorial e crítico da plataforma Sara y Rosa, os seis encontros da primeira jornada do Cineclube Ibero-americano Permanente, que terá como mote e motor As fictícias fronteiras do lar, buscará elaborar, coletivamente, os fios soltos dessa outra história.


-> Sobre o próximo encontro:

Encontro II:
1º de Abril/ 2026

19h CINECLUBE IBERO-AMERICANO PERMANENTE | Senhora de Ninguém (Señora de Nadie, Maria Luísa Bemberg, Argentina, 1982) | 12 anos | 1h30 | Sessão comentada pela pesquisadora Juliana Gusman

SINOPSE DO FILME:
Leonor, uma dona de casa, vive com o marido, Fernando, e os dois filhos. Um dia, por acaso, ela descobre que o marido a está traindo. Leonor percebe que seu mundo, fundado em uma mentira, ruiu como um castelo de cartas. Mais por medo do que por convicção, ela sai de casa, deixando para trás pequenas placas com instruções precisas para sua partida, e confia os filhos aos cuidados do marido.

SOBRE A DIRETORA DO FILME:
Maria Luísa Bemberg (1922-1995): María Luisa Bemberg foi uma roteirista e diretora de cinema argentina. Nos anos 70 estudou em Nova Iorque, com Lee Strasberg. Foi uma tenaz ativista do feminismo e uma das fundadoras da Unión Feminista Argentina, o que a levou a realizar uma arte vinculada à problemática da mulher. Dirigiu dois curtas documentais e seis longas-metragens, entre eles Camila (1984), indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

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