No Cine Humberto Mauro, a partir de 30 de abril, entra em cartaz o “Especial Cinema Mineiro Contemporâneo”, uma mostra que reúne uma seleção representativa da produção recente do cinema realizado em Minas Gerais.
Em sintonia com a Semana Estadual do Audiovisual Mineiro – Guilherme Fiúza Zenha (instituída pela Lei nº 25.750 de 2026, uma iniciativa criada para valorizar a produção cinematográfica realizada em Minas Gerais e promover a circulação de obras audiovisuais produzidas no estado), a programação do Cine Humberto Mauro conta com animações, ficções, documentários e até mesmo uma pré-estreia, percorrendo diferentes territórios estéticos e narrativos, evidenciando a diversidade e a força criativa do audiovisual mineiro.
Confira a programação completa (com sinopses)
Desde títulos já consagrados a novos filmes, a mostra destaca realizadores e perspectivas que ajudam a pensar Minas como um polo ativo de criação no cinema brasileiro.
O gesto curatorial faz, aqui, mais do que compor um panorama: nosso objetivo é colocar em relação filmes que partem de experiências muito distintas, mas que compartilham uma mesma implicação com o mundo ao redor. Das paisagens marcadas pela mineração às histórias íntimas de família, trabalho e desejo, o que emerge é um cinema atento aos seus territórios – físicos, sociais e afetivos.
Estão presentes narrativas que se abrem ao fabular, como em Placa Mãe e Chef Jack: O Cozinheiro Aventureiro, ao lado de obras que se enraízam em processos históricos e políticos, como Nimuendajú, Rejeito ou Meu Pai, Kaiowá: Yõg ãtak. Em outros momentos, o gesto é de aproximação do cotidiano, como em O Dia que Te Conheci e Marte Um, ou de invenção de novas formas de presença e identidade, como em Corpo Presente e Entre Vênus e Marte.
Essa convivência de registros, temas e linguagens aponta menos uma totalidade que um campo em movimento. E isso é o interessante: um cinema que ora observa, ora intervém; ora se volta para a memória, ora projeta futuros possíveis. Em comum, permanece uma atenção ao que insiste em existir — seja na permanência dos vínculos, na força das comunidades ou na necessidade de reinventar modos de vida.
Ao longo de duas semanas, a mostra atravessa diferentes regiões, histórias e experiências, reafirmando Minas Gerais como um espaço de criação múltiplo e em constante transformação. A pré-estreia de Cacimba, que encerra a programação, aponta justamente para esse gesto contínuo: o de um cinema que não apenas registra o mundo, mas participa ativamente das disputas e imaginações que o constituem.
É sobre (vi)ver Minas Gerais no Cinema.