Nem todo filme da Sessão da Meia-Noite precisa nascer do horror. Há também aqueles que encontram na madrugada um espaço para o fantástico, o extravagante e tudo aquilo que escapa à experiência cotidiana do cinema. Entre criaturas improváveis, vilões caricatos e universos que desafiam a realidade, o cinema popular construiu mundos capazes de atravessar gerações, permanecer na memória e ganhar novos sentidos a cada reencontro com o público.
São obras cuja permanência depende não apenas do afeto que despertam, mas também dos esforços concretos de busca, recuperação e preservação de suas imagens.
É nesse encontro entre memória e preservação que a Sessão da Meia-Noite apresenta Super Xuxa Contra Baixo Astral (1988), dirigido por Anna Penido, na passagem da sexta-feira 13 para o sábado 14 de novembro. Estrelado por Xuxa Meneghel, o filme levou mais de 2,8 milhões de espectadores aos cinemas e se tornou parte da formação cultural e afetiva de diferentes gerações. Décadas depois de seu lançamento, porém, sua própria existência material esteve ameaçada: o desaparecimento do primeiro rolo do negativo original inviabilizava as tentativas de restauração da obra.
A recuperação do filme ganhou novos rumos a partir da iniciativa do cineasta Diego Alexandre, que mobilizou sua rede de contatos e colecionadores em busca de uma cópia completa. O material foi localizado com um colecionador do Rio Grande do Norte e permitiu retomar o projeto de digitalização e preservação, realizado pela Mapa Filmes e pela Link Digital, com apoio do Canal Brasil e da Amuleto Filmes. A história dessa recuperação chama atenção para uma dimensão nem sempre visível da experiência cinematográfica: para que um filme continue sendo visto, é preciso também preservar os suportes materiais que tornam possível seu reencontro com o público.
A trajetória de Super Xuxa Contra Baixo Astral também convida a olhar para o cinema popular brasileiro com a atenção dedicada aos filmes que constituem a história da nossa cultura audiovisual. Durante muito tempo, produções associadas ao entretenimento infantil e ao sucesso de bilheteria foram tratadas como expressões menores, embora tenham participado da formação de milhões de espectadores. A obra de Xuxa, cuja carreira cinematográfica levou mais de 37 milhões de pessoas às salas de cinema, evidencia a importância desse repertório na construção de vínculos entre o cinema, a televisão e a memória coletiva. Preservar esses filmes é reconhecer que a história do cinema não se limita aos títulos consagrados pela crítica, mas inclui também as imagens que atravessam gerações e permanecem vivas na lembrança de seus espectadores.
Na trama, Xuxa precisa enfrentar Baixo Astral, uma figura maligna que ameaça espalhar sua energia negativa pelo mundo. Entre aventuras, canções, humor e situações fantásticas, a apresentadora assume o papel de heroína em uma batalha entre o bem e o mal, em um universo que combina a imaginação do cinema infantojuvenil com a estética e o espírito da cultura pop brasileira dos anos 1980.
Na sexta-feira 13, a Sessão da Meia-Noite propõe um encontro pouco convencional com o imaginário da madrugada. Em vez de recorrer ao horror, a sessão convoca uma heroína popular para enfrentar as forças do Baixo Astral e reencontrar um filme cuja permanência precisou ser defendida também fora das telas. Entre a memória afetiva de quem cresceu com suas imagens e a importância de garantir que elas continuem acessíveis às próximas gerações, Super Xuxa Contra Baixo Astral chega ao Cine Humberto Mauro como celebração do cinema popular brasileiro e das iniciativas que mantêm viva a sua história.
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23h59 SESSÃO DA MEIA-NOITE | Super Xuxa Contra Baixo Astral (Anna Penido, David Sonnenschein, Brasil, 1988) | Livre | 1h28
Sinopse:
Xuxa precisa enfrentar Baixo Astral, uma figura maligna que ameaça espalhar sua energia negativa pelo mundo. Em meio a aventuras, canções e situações fantásticas, a apresentadora assume o papel de heroína em uma batalha entre o bem e o mal.