No dia 17 de junho de 2026, o Cineclube Ibero-americano Permanente realiza, no Cine Humberto Mauro, o terceiro encontro da jornada As fictícias fronteiras do lar, dedicada às formas pelas quais cineastas ibero-americanas deslocaram, tensionaram e reinventaram as representações da experiência doméstica e dos papéis sociais atribuídos às mulheres. A sessão será dedicada a Vámonos, Bárbara (Cecília Bartolomé, Espanha, 1978), obra fundamental do cinema feminista espanhol produzida em um contexto marcado pelas transformações políticas e culturais do período pós-franquista.
Dirigido por Cecília Bartolomé, cineasta reconhecida por confrontar convenções morais e estruturas conservadoras da sociedade espanhola, o filme acompanha Ana, mulher de origem burguesa que decide abandonar o casamento e partir em viagem com a filha Bárbara. O gesto aparentemente simples de deixar a casa — espaço historicamente associado à estabilidade, ao cuidado e à contenção feminina — adquire, no filme, uma dimensão política e simbólica. A estrada, nesse contexto, deixa de ser apenas lugar de deslocamento físico para se tornar espaço de experimentação de novas possibilidades de existência.
Sem recorrer a heroísmos fáceis ou discursos programáticos, Cecília Bartolomé constrói um retrato sensível das contradições enfrentadas por uma mulher que tenta reorganizar a própria vida em meio às permanências culturais de uma sociedade ainda profundamente patriarcal. Entre diálogos cotidianos, embates familiares e pequenas rupturas, o filme observa os impasses da emancipação feminina não como conquista linear, mas como processo atravessado por dúvidas, culpas, desejos e reinvenções.
Inserido no contexto da jornada As fictícias fronteiras do lar, Vámonos, Bárbara amplia o debate sobre os modos pelos quais diretoras ibero-americanas se apropriaram da ficção para questionar os limites impostos à experiência feminina. Ao transformar o espaço doméstico em território de conflito e a viagem em possibilidade de reinvenção subjetiva, o filme evidencia como certas narrativas íntimas também são formas de intervenção política.
Promovido pelo Instituto Cervantes BH e pelo Cine Humberto Mauro, com curadoria da plataforma Sara y Rosa, o cineclube busca construir um espaço coletivo de reflexão sobre as relações entre cinema, gênero, memória e representação, aproximando obras fundamentais da história do cinema ibero-americano de novos contextos de circulação e debate.
Na programação
17/06 QUA
19h CINECLUBE IBERO-AMERICANO PERMANENTE – Encontro III
Vámonos, Bárbara (Cecília Bartolomé, Espanha, 1978) | 14 anos | 1h36
SINOPSE:
Ana (Amparo Soler Leal), filha de uma família burguesa, decide se separar do marido, Rafael (Carlos Estrada), com quem mantém uma relação cada vez mais distante. Trabalhando em uma agência de publicidade e constantemente criticada pela mãe por suas escolhas de vida, Ana resolve partir de férias ao lado da filha de doze anos, Bárbara (María Elías), numa tentativa de deixar o passado para trás e buscar uma vida mais livre, menos convencional e sem restrições.