Este concerto celebra o Dia Internacional da Mulher colocando a mulher no centro da
experiência musical — como criadora, intérprete e presença simbólica na construção da cultura musical. As obras reunidas atravessam diferentes períodos e estilos, conectadas pela ideia da mulher como agente ativo de expressão, identidade e transformação artística.
A abertura do programa é assinada pela compositora polonesa Grażyna Bacewicz, cuja escrita enérgica e precisa afirma a mulher como autora e arquiteta do discurso musical. Sua música inaugura o concerto com clareza, vitalidade e personalidade, estabelecendo desde o início o protagonismo feminino na criação.
Um dos momentos de destaque do concerto será a participação do quarteto solista da Sinfonia Concertante, de Joseph Haydn, interpretado por três solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais – Karine Oliveira, Juliana Santos e Talita Capra – que se unem à solista convidada Elise Pittenger. Quatro instrumentos solistas — violino, violoncelo, oboé e fagote — compartilham o centro da cena em constante escuta e equilíbrio com a orquestra. Embora a obra não apresente personagens, esta interpretação coloca a mulher no centro do palco: as quatro partes solistas serão executadas por instrumentistas mulheres, simbolizando liderança compartilhada, colaboração e pluralidade de vozes.
O Capricho Espanhol, de Nikolai Rimsky-Korsakov, traz ao programa uma celebração da
presença corporal e da força cultural da dança. Inspirada em ritmos e canções da tradição
espanhola, a obra destaca o gesto, o ritmo e o virtuosismo individual dentro do coletivo
orquestral. Mesmo sem uma personagem específica, a música evoca universos nos quais a dança e a expressividade corporal — historicamente associadas ao protagonismo feminino — ocupam o centro da cena.
O concerto se encerra com Romeu e Julieta – Abertura-Fantasia, de Piotr Ilitch Tchaikovsky.
Inspirada na tragédia de Shakespeare, a obra transforma em música a intensidade emocional de Julieta, personagem cuja coragem e sensibilidade desafiam o ódio e a violência ao seu redor. O célebre tema lírico associado à figura feminina afirma o amor como força ativa e transformadora, conduzindo o concerto a um desfecho de grande impacto emocional.
Regidas por Priscila Bomfim neste concerto, essas obras celebram diferentes dimensões do protagonismo feminino — a autoria, a liderança coletiva, a presença cultural e a força emocional — compondo um concerto que reconhece a mulher não como exceção, mas como centro também na cena musical.