No dia 29 de outubro, às 20h, o compositor, pianista, multi-instrumentista e produtor musical Dudu Amendoeira sobe ao palco da Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, para apresentar “Saudades das Selvas Brasileiras”, seu novo projeto autoral.
O espetáculo nasce do desejo de olhar para a natureza brasileira não apenas como paisagem, mas como origem, matéria viva, memória e linguagem. Com um repertório 100% autoral, Dudu atravessa musicalmente diferentes imaginários ligados aos biomas brasileiros, celebrando sua diversidade e beleza ao mesmo tempo em que provoca uma reflexão sobre as formas de exploração e transformação desses ecossistemas.
Em cena, música e paisagem se encontram em uma experiência construída para despertar imagens, sensações e deslocamentos. As composições procuram transportar o público por matas, rios, correntezas e outras paisagens brasileiras pelo som, pela poesia e principalmente pela interação entre os músicos que traz corpo à essas atmosferas.
Essa relação com o território também atravessa o imaginário ancestral brasileiro. Em “Saudades das Selvas Brasileiras”, figuras e presenças simbólicas como o Curupira e a Carranca aparecem como parte de uma natureza que observa, protege, adverte e também reage. Ao convocar esses imaginários, Dudu aproxima a paisagem de histórias transmitidas entre gerações e recupera uma forma ancestral de compreender a relação entre humanidade e ambiente.
A pesquisa dialoga com uma linhagem ampla da música instrumental brasileira. Referências como Hermeto Pascoal, Villa-Lobos e Milton Nascimento aparecem como pontos de partida para uma música interessada em território, experimentação, ritmo, textura e liberdade e são influências já presentes na pesquisa artística desenvolvida por Dudu nos últimos anos.
Para o espetáculo, Dudu Amendoeira assume voz, piano e composições, dividindo o palco com Almin Bah, na percussão; Felipe dos Santos, no baixo; Noemi Guimarães, no sax e flauta; Vitor Gontijo, na guitarra e Yacauã Bastos, na bateria. A noite recebe ainda as participações especiais de Xande Moreira, no sax, e Anaju Guarnieri, no violino.
A construção visual dirigida por Mana Fontoura acompanha a proposta de criar uma experiência sensorial, com a cenografia assinada por Erica Buzelin e Marcus Vinicius do Carmo e aluz de Sérgio Cesário, expandindo para o palco o universo sugerido pelas composições.
Sobre Dudu Amendoeira
Nascido em Belo Horizonte, Dudu Amendoeira é compositor, arranjador, pianista e produtor musical e atua na cena independente da cidade desde 2015. Sua trajetória é marcada pelo encontro entre diferentes referências e linguagens musicais, com interesse especial pela criação autoral e pela música instrumental.
Formado em piano popular pela Bituca – Universidade de Música Popular e graduado em Música Popular pela UFMG, Dudu recebeu, em 2019, o Prêmio BDMG Jovem Instrumentista. Como produtor e arranjador, desenvolveu trabalhos ao lado de artistas da cena independente, entre eles Augusta Barna, Coral, Eliezer Gonçalves, Sidarta Riani, Amitra, Joana Rochael, D’água Negra e outros nomes. Em 2023, o álbum “Sangria Desatada”, de Augusta Barna, no qual atuou como produtor musical e arranjador, recebeu o Prêmio Flávio Henrique, do BDMG Cultural.
Depois de diferentes experiências como instrumentista, compositor, produtor e criador de trilhas para dança e teatro, Dudu concentra agora parte de sua pesquisa na preparação de seu primeiro disco autoral. “Saudades das Selvas Brasileiras” apresenta ao público esse universo em formação: uma música interessada no Brasil que carrega uma contestação ancestral.
Diante de uma lógica que transforma a natureza sobretudo em recurso e matéria de exploração, recorremos a símbolos de proteção, encantamento e resistência para propor outra escuta. A saudade anunciada deixa de ser somente contemplativa e se torna alerta. Do que teremos saudade se continuarmos destruindo aquilo que ainda está aqui?