A CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais recebe a exposição “Foto em Pauta: Mundo ≡ Floresta” (“Mundo equivalente a Floresta”), de 17 de abril a 29 de agosto de 2026. Com curadoria de João Castilho, Pedro David e Gabriela Sá, a mostra reúne obras de 10 artistas, com mais de 100 imagens de nomes como Cássio Vasconcellos (SP), Claudia Andujar (Suíça/Brasil), Daniela Paoliello (BH/RJ), Florence Goupil (Peru), Frans Krajcberg (Polônia/Brasil), Labō Young (Pará) & Igor Furtado (RJ), Lalo de Almeida (SP), Musuk Nolte (Peru) e Siân Davey (Reino Unido). A mostra, que faz parte da itinerância do Festival de Fotografia de Tiradentes de 2026, parte do romance “Floresta é o Nome do Mundo” (1972), da escritora estadunidense Ursula K. Le Guin (1929–2018), para discutir a relação do ser humano com a natureza. Neste ano, a CâmeraSete é o primeiro espaço a receber a itinerância da mostra, que aconteceu no 15º Festival de Fotografia de Tiradentes, entre março e o início de abril. A abertura da exposição acontece no dia 16 de abril, às 19h. A entrada é gratuita.
A obra que é utilizada como base dos trabalhos narra a colonização de um planeta inteiramente coberto por florestas e habitado por um povo em profunda sintonia com a natureza. Todo o equilíbrio é rompido pela chegada de humanos em busca de madeira, já extinta na Terra. A exposição propõe uma tradução intersemiótica do livro, indo da literatura em direção à fotografia. Os trabalhos reunidos reverberam as questões colocadas pela narrativa ficcional como, por exemplo, a importância dos sonhos na organização social, a densidade das matas, a devastação ambiental e a estreita relação entre corpos vegetais e animais. O material, heterogêneo entre si, traz imagens em sobreposição, alto contraste, composições que registram os povos originários e a sua relação com os recursos naturais, criando um diálogo com a obra de Le Guin.
A exposição “Foto em Pauta: Mundo ≡ Floresta” é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Fundação Clóvis Salgado e Foto em Pauta. O projeto tem patrocínio do Itaú e da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto Anglogold, Patrocínio Plus da Vivo, Patrocínio da ArcelorMittal e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. O Palácio das Artes integra o Circuito Liberdade, que reúne mais de 60 equipamentos com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. A ação é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Vale-Cultura. Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.
Da ficção para o registro – Neste ano, o projeto “Foto em Pauta” utiliza o livro de Ursula Le Guin como fio condutor para a proposta curatorial. Há algum tempo as exposições estavam se debruçando sobre a relação humana com a natureza e com outras entidades, seres e formas de vida, com o objetivo de levar o público a considerar a reconexão e o futuro da vida humana no planeta. Na obra ficcional, o processo de colonização e extração de matéria-prima é colocado em contraste com a forma com que os povos nativos se relacionam com os recursos naturais. Segundo um dos curadores, Pedro David, esse foi um dos primeiros desafios encontrados no processo de concepção da mostra. “A fotografia tem essa cola na realidade. Ela é um espelho, mas não necessariamente fala da realidade, ela cria outras e também possibilita que você crie ideias, não só registre. Mas, a técnica é do registro. Ainda que você construa essa cena, ela é muito pensada em algo real. E então, nós usamos uma base de ficção científica na fotografia que cria um desafio, uma curiosidade, uma atmosfera muito pitoresca e convidativa”, afirma Pedro.
A partir disso, o segundo desafio foi colocar em diálogo trabalhos de autores distintos, de diferentes nacionalidades. Apesar de não tratarem o livro de forma direta, as fotografias têm a ver com a relação dos seres humanos com a natureza, abordando temas como a colonização, a destruição e os sonhos como ferramenta política de decisão. Dessa forma, o curador espera que a proposta possa sensibilizar o visitante. “Em princípio, a obra foi colocada ali para o público ver, ler e tirar suas conclusões. Mas, o que nos leva a propor essa abordagem, a colocar esse trabalho na parede e a expor esse conjunto de abordagens sobre essa relação difícil entre o homem e a natureza é uma proposição de que outros mundos são possíveis, da urgência de que se experimentem outras formas de vida, que se pare a destruição, que se preste atenção no que está acontecendo em torno do planeta e dessas ações que estão levando à impossibilidade da nossa espécie continuar vivendo na Terra”, pondera Pedro.
FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO – Com a missão de fomentar a criação, a formação, a produção e a difusão da arte e da cultura em Minas Gerais, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) é vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). Artes visuais, cinema, dança, música, ópera e teatro integram a ampla programação desenvolvida nos espaços sob sua gestão, como o Palácio das Artes, a CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais e a Serraria Souza Pinto. A Fundação também é responsável pela gestão dos corpos artísticos — Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes — além do Cine Humberto Mauro, das Galerias de Arte e do Cefart. Em 2026, ao celebrar os 55 anos do Palácio das Artes, a FCS amplia suas ações para todas as artes e todos os públicos, reafirmando seu compromisso com a democratização cultural. Palácio das Artes – 55 anos: ontem, hoje, sempre. A arte é o espaço do encontro.