No espetáculo de funk “Gambiarra”, o termo transcende o quebra galho técnico para se tornar uma operação semiótica de sobrevivência, ou seja: reinventar a própria existência. Na encruzilhada dessa arquitetura do improviso e subversão, está a “Mais Velha”, figura matriarcal que detém a tecnologia da oralidade. Dentro da cultura preta, onde a tradição é transmitida pela fala, a matriarca ressignifica o passado de asas podadas para transformá-lo em tática de
voo no presente.
Entre coreografias que fundem passos das danças funk com elementos da cultura popular e folclóricas de vários territórios do interior de minas, como a Folia de Reis e o Congado, o espetáculo mostra que a resistência preta e periférica é a arte de mudar a função do medo, transformando-o em coragem.
“Galo cantou, acorda pra vida artista amador. Ame tudo de novo, novo.”
Nós vamos falar de amor.