Marcos Garcia é um dos mais singulares artistas plásticos de Minas Gerais. Nascido em Belo Horizonte em 1950, vive e trabalha entre a capital e Santa Luzia. Garcia desenvolveu uma linguagem figurativa e geométrica própria, marcada por cores vibrantes e traço preciso. Utilizando principalmente lápis aquarelável e caneta esferográfica, cria cenas cheias de vida e movimento: jogos circenses, rituais domésticos, momentos religiosos e amorosos. Suas obras traduzem, com intensidade e poesia, a brasilidade popular e as memórias sensoriais de um corpo que, embora restrito, sonha e dança livremente. “Meu trabalho tem como fonte as lembranças do tempo em que eu podia vivenciar o dia a dia das pessoas”, afirma o artista.
Em 2016, a emblemática exposição Marcos Garcia – O Acrobata das Cores, curada por Priscila Freire no Centro de Arte Popular CEMIG, reuniu cerca de 50 obras e revelou ao público a força e a originalidade de sua produção. Agora, propomos trazer essa mesma potência para o Palácio das Artes, em uma mostra individual na Galeria Pedro Moraleida, como justa homenagem a esse artista que equilibra com maestria restrição física e expansão poética.
A exposição reunirá desenhos e pinturas recentes e históricos, destacando a vitalidade de seu universo onírico, onde o corpo em movimento, o erotismo e o cotidiano se transformam em espetáculo colorido e humano. Participante de importantes salões — como o Salão do Carnaval e o Salão do Futebol no próprio Palácio das Artes —, premiado no Salão de Artes da Aeronáutica e presente em mostras no Centro Cultural UFMG e Galeria Sesiminas, Marcos Garcia construiu uma trajetória discreta, porém profundamente autêntica.