Monstros da Modernidade é uma mostra dedicada às relações entre humanidade, natureza, ciência e formas de vida no cinema, tomando a figura do animal, do monstro e da mutação como caminhos para investigar as contradições da modernidade. Mais do que perguntar o que é um monstro, a programação propõe uma questão mais ampla: o que a figura do monstro revela sobre o mundo moderno?
Reunindo clássicos do cinema, obras cultuadas, ficções científicas, filmes de horror, fantasia, animação e produções contemporâneas, a mostra percorre diferentes momentos da história do cinema para acompanhar as transformações dessa figura. Das experiências científicas de Frankenstein às metamorfoses de A Mosca; das criaturas gigantes de Godzilla e King Kong às reflexões sobre animalidade em O Homem Urso, The Plague Dogs e Cão Branco, os filmes revelam como o monstruoso acompanha as mudanças nas formas de compreender a natureza, o progresso, a tecnologia e a própria condição humana.
Ao longo da programação, o monstro deixa de designar apenas criaturas extraordinárias e passa a revelar processos de violência, exploração e transformação que atravessam as relações entre humanidade, natureza e ciência. As fronteiras entre humano e animal, natural e artificial, civilização e instinto tornam-se cada vez mais instáveis, fazendo com que a monstruosidade deixe de ser apenas uma ameaça externa para refletir as tensões produzidas pela modernidade. Nesse percurso, experiências científicas, desequilíbrios ambientais, formas de domesticação, relações de poder e mutações do corpo aparecem como diferentes manifestações de um mesmo imaginário.
Ao aproximar filmes produzidos em contextos históricos distintos, Monstros da Modernidade propõe que eles dialoguem entre si, permitindo que cada obra ilumine novas dimensões das demais. Assim, a mostra convida o público a perceber o monstro não apenas como personagem ou criatura fantástica, mas como uma poderosa ferramenta crítica para pensar os limites entre humanidade e natureza, as promessas e fracassos do progresso e as formas pelas quais o cinema imaginou as inquietações de seu tempo.
Entre entretenimento, reflexão ecológica e investigação histórica, a mostra convida o público a revisitar um dos imaginários mais persistentes do cinema para descobrir que, muitas vezes, o verdadeiro monstro não é aquilo que desafia a humanidade, mas aquilo que ela própria produz.