A Sessão da Meia-Noite do Cine Humberto Mauro é dedicada aos filmes que expandem o imaginário do público e exploram zonas menos convencionais da história do cinema. É uma faixa criada para acolher obras que provocam, surpreendem e deslocam — títulos que ajudam a compreender como a cultura audiovisual se reinventa nas margens, na contracultura ou nas experiências radicais de gênero.
No encerramento da mostra “Marilyn Monroe & Billy Wilder: O Encanto Ácido de Hollywood”, a Sessão da Meia-Noite desloca o olhar para um território abertamente iconoclasta ao apresentar “Cecil Bem Demente” (Cecil B. Demented, 2000), de John Waters. Embora distante do cinema clássico em forma e estilo, o filme dialoga de maneira direta com os temas centrais da mostra ao levar ao limite a crítica às engrenagens da indústria cinematográfica, à fabricação de imagens e ao culto às estrelas.
Em Cecil Bem Demente, Waters articula uma sátira criativa sobre o fazer cinematográfico ao acompanhar um coletivo de realizadores underground que se opõe, de maneira performática e violenta, ao cinema industrial. O filme mobiliza referências da cultura pop, do cinema trash e da tradição contracultural para desmontar a lógica do entretenimento padronizado, propondo o cinema como gesto de confronto e desobediência estética. A obra funciona como um comentário ácido sobre a herança do star system e sobre a transformação da imagem em mercadoria.
Ao opor o cinema industrial ao cinema como ato de resistência, John Waters propõe um retrato tão delirante quanto revelador das tensões entre autoria, mercado e desejo de ruptura.
Sobre a próxima sessão
De sexta-feira (27/02) para sábado (28/02)
SESSÃO DA MEIA-NOITE | Cecil Bem Demente (Cecil B. Demented, John Waters, EUA–França, 2000) | 16 anos | 1h27 | A retirada gratuita dos ingressos acontece exclusivamente pelo site da Eventim a partir das 18h de sexta-feira (27/02).
Sinopse
Um grupo de jovens cineastas extremistas, liderado por Cecil B. Demented (Stephen Dorff), sequestra Honey Whitlock (Melanie Griffith), uma famosa diretora de Hollywood, e a obriga a participar de um filme underground concebido como um ataque frontal ao cinema comercial. Entre performances radicais, sabotagens e declarações de guerra à indústria cultural, Cecil Bem Demente constrói uma sátira incendiária sobre autoria, celebridade e a possibilidade de um cinema verdadeiramente insurgente.