O que acontece quando a meia-noite se ilumina com o brilho dos palcos?
A Sessão da Meia-Noite do Cine Humberto Mauro é dedicada aos filmes que ganham uma densidade especial quando atravessam a madrugada. Obras que pedem silêncio, entrega e atenção aos gestos — títulos que, muitas vezes à margem das leituras mais imediatas, revelam camadas inesperadas, surpresas inesquecíveis.
Dentro da mostra As Faces da Showgirl, a noite de sexta se prolonga para acolher uma figura central desse imaginário: a artista que dança entre o espetáculo e a sobrevivência, entre o glamour e a precariedade.
A escolha para finalizar o mês é Vênus Loura (Blonde Venus, 1932), filme dirigido por Josef von Sternberg e protagonizado por Marlene Dietrich. A história acompanha uma cantora de cabaré que vê sua vida atravessada por crises financeiras, escolhas amorosas e deslocamentos constantes. Entre números musicais e ambientes noturnos, constrói-se o retrato de uma mulher que negocia, a cada gesto, sua imagem e sua autonomia.
Em Vênus Loura, o palco é também espaço de ambiguidade: luz e sombra dividem o enquadramento, enquanto a performance se torna estratégia de permanência no mundo.
SOBRE A PRÓXIMA SESSÃO
De sexta-feira (27/03) para sábado (28/03)
SESSÃO DA MEIA-NOITE | Vênus Loura (Blonde Venus, Josef von Sternberg, EUA, 1932) | 14 anos | 1h33
A retirada gratuita dos ingressos acontece exclusivamente pela Sympla a partir das 18h de sexta-feira (27/03).
SINOPSE
Helen Faraday (Marlene Dietrich) é uma cantora de cabaré que abandona os palcos após se casar com o cientista Ned Faraday (Herbert Marshall). Quando o marido adoece gravemente e o tratamento exige recursos que o casal não possui, Helen decide retornar ao espetáculo para garantir sua sobrevivência. Nos ambientes noturnos que volta a frequentar, ela conhece o político Nick Townsend (Cary Grant), com quem inicia um relacionamento que lhe oferece estabilidade financeira, mas também a coloca no centro de um conflito moral e afetivo. Entre números musicais exuberantes e decisões difíceis, Helen passa a atravessar fronteiras — geográficas e emocionais — em uma trajetória marcada por deslocamentos, perdas e reinvenções.